A SAP é uma das maiores empresas de software do mundo, então, quando seu CEO afirma que em pouco tempo não haverá mais ninguém programando, significa que as coisas vão ficar muito complicadas para os engenheiros da área.
Christian Klein, CEO da SAP, declarou em entrevista ao Financial Review: "O desenvolvimento de software é a função mais afetada pela IA, e existe a possibilidade de que, em três ou quatro anos, não haja mais ninguém desenvolvendo software na SAP." A declaração de Klein não é uma tática de pressão sobre seus funcionários, mas sim parte de uma estratégia que o executivo vem desenvolvendo há meses e que agora tem um nome: Empresa Autônoma.
Uma empresa que quer se reinventar por dentro
A SAP tem mais de 110 mil funcionários em todo o mundo e é a maior empresa de software da Europa. Desses 110 mil funcionários, mais de 30 mil ocupam cargos de desenvolvimento de software. Isso significa que Klein espera automatizar o trabalho atualmente realizado por mais de 27% de sua força de trabalho usando agentes de IA.
O CEO compartilha a ideia de que a codificação intuitiva permite que alguém sem formação técnica gere software a partir de instruções em linguagem natural. Klein, como muitos outros executivos seniores de tecnologia, vê isso como o começo do fim para os programadores como os conhecemos hoje. Em outras palavras, o papel do desenvolvedor de software não estará mais ligado à geração de código, mas à sua supervisão.
SAP não está demitindo funcionários, está realocando-os
No entanto, o que Klein deixou bem claro é que, embora a SAP tenda a reduzir o número de desenvolvedores de software em sua equipe, isso não significa que demitirá seus funcionários. Eles simplesmente serão realocados para outras funções dentro da empresa para atender às novas necessidades de desenvolvimento.
Klein explica que a força de trabalho vai mudar e que os gerentes de produto, que antes programavam pouco, trabalharão ao lado de especialistas de diferentes setores para criar novos agentes de IA. "Precisamos de gerentes de produto que saibam ler código e entender o negócio. Enquanto a demanda por desenvolvedores está diminuindo, precisamos de mais cientistas de dados", afirma o executivo.
Procura-se treinadores de IA, não programadores
De acordo com dados do estudo mais recente sobre tendências globais no futuro do trabalho, realizado pela ManpowerGroup, as habilidades em IA ultrapassaram as de engenharia e ciência da computação como as mais difíceis de encontrar, com 72% das empresas com dificuldades para preencher essas vagas. Os perfis que Klein descreve — gerentes de produto que entendem como a IA funciona e projetam agentes de IA — ainda não existem na quantidade que o setor precisa.
A confiança dos desenvolvedores no código gerado por IA caiu de 40% para 29% em apenas um ano. 46% dos profissionais desconfiam ativamente dessas ferramentas. 45% do código gerado por IA contém falhas de segurança graves. Klein fala de um futuro sem programadores, mas os dados atuais mostram que a supervisão humana continua sendo o diferencial entre um produto confiável e um repleto de vulnerabilidades.
Imagem | SAP, Unsplash (Becomes Co)
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