Estudantes criam carro que se recarrega sem tomada e gera energia extra; entenda a engenharia do modelo solar que passou por testes de pista com a BMW

Projeto transforma boa parte da carroceria em superfície fotovoltaica e aposta no baixo peso para aproveitar cada watt gerado

Meet Deep Orange 17 Clemson University
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Natália P. Martins

Redatora

Um carro elétrico que passa boa parte do dia estacionado e, em vez de perder carga, aproveita esse tempo para produzir energia. Essa é a proposta do Deep Orange 17, protótipo desenvolvido por estudantes de engenharia automotiva da Universidade Clemson, nos Estados Unidos, em parceria com a divisão de pesquisa e desenvolvimento da BMW.

Protótipo transformou a carroceria em um grande painel solar

Batizado de Luminetta, o veículo transforma praticamente toda a carroceria em uma superfície de captação de energia solar.  A proposta, porém, depende de uma combinação de fatores. O carro é extremamente leve, tem aerodinâmica otimizada e foi projetado para aproveitar cada quilômetro de autonomia gerado pelas células solares.

Meet Deep Orange 17 Clemson University 2 Protótipo de carro movido à energia solar foi construido por universitários. Foto: Reprodução/Clemson

O Deep Orange 17 possui mais de 1.700 células fotovoltaicas integradas à carroceria. Elas captam a luz do Sol e transformam essa energia em eletricidade, que é direcionada para o sistema de armazenamento do veículo.

A equipe também considerou situações em que apenas parte do veículo está iluminada. O sistema foi desenvolvido para continuar aproveitando a radiação solar mesmo quando algumas áreas ficam sob a sombra de árvores, prédios ou outras estruturas.

Czarro consegue realmente gerar mais energia do que gasta?

O Deep Orange 17 foi projetado para alcançar um saldo energético positivo em determinadas condições de uso. Para avaliar isso, os pesquisadores fizeram simulações considerando diferentes condições de iluminação e clima em Greenville, nos Estados Unidos, Frankfurt, na Alemanha, Madri, na Espanha, e Mumbai, na Índia.

Em um cenário de uso diário de aproximadamente 20 quilômetros, o modelo conseguiu gerar energia solar excedente equivalente a uma média de 50 quilômetros de autonomia adicional por dia nas simulações apresentadas pela equipe.

Isso acontece porque o veículo não depende apenas da energia produzida enquanto está rodando. Grande parte da captação pode ocorrer enquanto ele está parado, quando um carro comum passa horas sem ser utilizado.

A ideia é aproveitar um período que normalmente seria desperdiçado: o tempo em que o carro está estacionado sob a luz do Sol.

Peso reduzido ajuda a economizar energia

Para que uma quantidade relativamente pequena de energia consiga levar o carro mais longe, os estudantes precisaram reduzir drasticamente o peso em uma lógica simples: quanto menos massa o motor precisa movimentar, menor tende a ser a energia necessária para deslocar o veículo.

Enquanto um carro tradicional ou popular de passeio pesa entre 900 kg e 1.400 kg, o Deep Orange 17 foi projetado com apenas 550 kg, uma massa muito baixa para um veículo elétrico.

A estrutura combina diferentes materiais, incluindo aço de alta resistência, alumínio, fibra de carbono e componentes metálicos produzidos por impressão 3D.

Essa estratégia também permite aproveitar melhor a eletricidade produzida pelos painéis. Em vez de gastar grande parte da energia captada apenas para movimentar um veículo pesado, o projeto tenta transformar cada unidade de energia em mais quilômetros percorridos.

Projeto foi desenvolvido por 16 estudantes

O Deep Orange 17 foi desenvolvido ao longo de dois anos por 16 estudantes de mestrado da Universidade Clemson.

Do17 Team Estudantes de mestrado da Universidade Clemson deram vida ao projeto. Foto: Reprodução/Clemson

O trabalho envolveu praticamente todas as etapas necessárias para transformar uma ideia em um veículo funcional, passando pela pesquisa de mercado e desenvolvimento do conceito até a construção e os testes.

A parceria com a BMW permitiu que os estudantes trabalhassem com requisitos mais próximos dos encontrados na indústria automotiva.

Depois dos testes, o protótipo continuará no Centro Internacional de Pesquisa Automotiva da Universidade Clemson (CU-ICAR), onde poderá servir como plataforma para novas pesquisas relacionadas à mobilidade sustentável.

O Deep Orange 17 também está previsto para ser apresentado ao público durante a CES 2027, em Las Vegas.


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