A China frequentemente é vista como um país que está anos luz à frente no quesito tecnologia. E no serviço de delivery, não é diferente. Em hotéis de grandes cidades, como Xangai e Pequim, o pedido feito pelo hóspede já não chega pelas mãos de um funcionário, mas por um robô autônomo que sobe de elevador sozinho e entrega a comida diretamente na porta do quarto.
A modernidade tem chamado tanta atenção entre turistas que visitam o país, que eles gravam vídeos e compartilham a experiência nas redes sociais, ajudando a impulsionar a viralização dessas cenas e reforçando a imagem da China como referência internacional na aplicação prática de robótica e inteligência artificial.
Delivery agora é autônomo na China: robôs fazem o serviço de entrega de comida em hotéis
O que para muitos ainda parece coisa do futuro, já é algo muito comum em hotéis chineses de três estrelas ou mais. Robôs de serviço circulam pelos corredores, chamam o elevador, sobem andares e param em frente ao quarto correto. Ao chegar, ligam para o hóspede, que abre a porta, retira o pedido de um compartimento interno e confirma a entrega na própria tela da máquina.
Influenciadores que visitam hotéis em Xangai ajudaram a transformar a hashtag #hotelnaChina em uma tendência internacional, justamente ao mostrar essa experiência tecnológica e totalmente inovadora. Apesar de parecer complexo, o funcionamento é simples, mas envolve sistemas sofisticados de navegação, sensores de distância e inteligência artificial para evitar obstáculos. Segundo os desenvolvedores, esses robôs conseguem realizar entre 70 e 80 entregas por dia.
O mais legal é que eles não entregam apenas comida. Também transportam encomendas, correspondências e itens solicitados no serviço de quarto. Além disso, estão em constante aprimoramento: os engenheiros trabalham para reduzir a distância de segurança excessiva que ainda dificulta a circulação em áreas muito movimentadas, além de treinar os sistemas com IA para melhorar a leitura de ambientes complexos.
Devido a modernidade e praticidade, a presença dessas máquinas já virou critério de escolha para parte dos hóspedes. Especialistas em gestão hoteleira afirmam que, na China, a ausência de robôs pode até ser vista como sinal de serviço “incompleto” em determinados padrões de hotelaria do país.
China amplia liderança global em robótica e leva automação do delivery aos humanoides
Se nos hotéis os robôs já fazem parte da rotina, o cenário é ainda maior quando se observa o setor industrial como um todo. O avanço não é pontual nem isolado, trata-se de uma estratégia ampla que coloca a automação no centro do desenvolvimento econômico do país.
A indústria de robótica chinesa vive uma expansão acelerada. A China lidera o mercado global de robôs industriais há anos e concentra mais da metade das vendas mundiais do setor. Esse avanço também aparece em aplicações diferentes do que se imagina. Em Pequim, por exemplo, estações de metrô já contam com máquinas autônomas capazes de preparar panquecas e pães no vapor após treinamento específico com inteligência artificial.
E há um passo além. No Hotel Shangri-La Traders, próximo ao Aeroporto de Xangai Hongqiao, um modelo mais avançado começou a operar: o robô humanoide XMAN-R1, desenvolvido pela KEENON Robotics. Diferente dos robôs de entrega compactos, ele atua na recepção, interage com hóspedes por linguagem natural e integra um sistema de visão, linguagem e ação capaz de executar tarefas de forma coordenada. O hotel adotou um modelo que combina robôs generalistas e especializados: enquanto alguns recebem clientes, outros transportam bagagens, limpam ambientes ou entregam refeições nos restaurantes internos.
Com isso, fica clara a aposta chinesa. Eles querem automatizar tarefas repetitivas, liberar trabalhadores para funções de maior valor agregado e consolidar a liderança tecnológica do país. Esse é o retrato de um modelo de desenvolvimento que transforma inovação em rotina, e que já começa a redefinir o que se entende como serviço.
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