Há 123 anos, três engenheiros fizeram furos em uma lata de tomate para criar um carburador de motocicleta; a empresa deles hoje se chama Harley-Davidson

William S. Harley e os irmãos Arthur e Walter Davidson só precisavam de um carburador para completar a tão esperada bicicleta motorizada; a solução estava numa lata de tomate

Há 123 anos, três engenheiros fizeram furos em uma lata de tomate para criar um carburador de motocicleta. A empresa deles hoje se chama Harley-Davidson.
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Fabrício Mainenti

Redator

Quem já pilotou uma Harley sabe que existe algo quase místico em seu som, sua sensação, sua presença. Mas o que poucos sabem é que essa lenda de ferro e rugido começou... com uma bicicleta, um sonho frustrado e uma simples lata de tomate.

É Milwaukee, 1903. William S. Harley e os irmãos Arthur e Walter Davidson têm uma ideia: criar uma bicicleta com motor. Eles a chamam de motocicleta, embora mal se pareça com uma. Constróem apenas três naquele primeiro ano, e nenhuma delas consegue subir uma ladeira sem a ajuda do piloto. É o início de uma história que duraria até... os dias de hoje.

Tudo começou com uma lata de tomate

O motor de três cavalos de potência mal dava para estradas planas. Não havia dinheiro, peças especializadas ou uma oficina decente. Apenas engenhosidade.

A estrutura é um quadro de bicicleta modificado, a transmissão é uma correia de couro e o maior problema é o carburador. Em uma época em que Maybach já havia projetado um carburador funcional para a Daimler, a Harley-Davidson teve que se virar com o que tinha à mão.

E foi então, segundo a lenda repetida por gerações, que alguém viu uma lata de tomate vazia sobre a mesa. Pegou-a, fez um furo, adaptou-a e assim nasceu o primeiro carburador Harley-Davidson.

Imagens | Harley-Davidson

Bem, não há documentos que comprovem isso, mas o mito da lata de tomate não é apenas uma referência romântica ao passado: é um símbolo do espírito que deu origem a uma das marcas de motocicletas mais icônicas do mundo.

O resto é história. Em 1916, a Harley aliou-se ao Exército dos EUA durante o conflito na fronteira com o México. Na Primeira Guerra Mundial, mais da metade de suas motocicletas foram para a linha de frente. E enquanto o resto do mundo tentava entender como um carburador funcionava, a Harley já estava criando cultura: o rock, Hollywood e o rugido do motor V-Twin fizeram o resto.

Imagens | Harley-Davidson

Hoje, mais de um século depois, a marca sobreviveu a guerras, crises (com as quais continua a lidar, como comprovam os números), sucessos cinematográficos e até uma breve incursão no mundo das motos de neve. Mas nenhuma dessas máquinas existiria sem aquela faísca inicial, aquela primeira peça improvisada, aquela lata de tomate reciclada.

Imagens | Harley-Davidson

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