Há mais detritos produzidos pelo homem na Lua do que carros em um ferro-velho de cidade pequena – e ninguém sabe o que fazer com eles

Cemitério de detritos está ficando cada vez maior; e é só o começo

Imagens | Magnific/Unsplash, NASA
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PH Mota

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PH Mota

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Jornalista há 15 anos, teve uma infância analógica cada vez mais conquistada pelos charmes das novas tecnologias. Do videocassete ao streaming, do Windows 3.1 aos celulares cada vez menores.

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Muito se fala sobre o lixo espacial em órbita, especialmente na órbita baixa da Terra. No entanto, os detritos resultantes da atividade humana no espaço não estão apenas flutuando além do nosso planeta. Parte deles está abandonada na superfície de planetas, luas ou asteroides. Os dois maiores cemitérios espaciais do sistema solar são a Lua, onde mais de 70 objetos encontraram seu fim, e Marte, onde estão 17 módulos de pouso, rovers e alguns helicópteros, todos destruídos ou fora de serviço.

Esses depósitos de lixo espacial provavelmente continuarão a crescer ao longo dos anos. Pode chegar o momento em que será necessário reciclar esses materiais para continuar avançando na exploração espacial. Já existem alguns projetos em andamento, mas também uma grande quantidade de legislação que pode dificultá-los.

O maior cemitério espacial do Sistema Solar

A Lua abriga mais de 70 objetos espaciais que pousaram lá de quatro maneiras diferentes: impacto deliberado, colisão acidental, desorbitação controlada ou pouso suave e seguro. Logicamente, isso inclui apenas espaçonaves e rovers. Bolas de golfe e bandeiras, por exemplo, não estão incluídas. Se as incluíssemos, o número aumentaria significativamente.

Alguns exemplos

No grupo de colisões deliberadas, encontramos a Luna 2, uma espaçonave soviética que colidiu com nosso satélite em 13 de setembro de 1959. Ela tinha dois objetivos: demonstrar que era possível alcançar a Lua e analisar seus campos magnéticos e radiação. Isso foi feito pouco antes do impacto, enquanto simultaneamente hasteava uma bandeira da União Soviética. Já no grupo de colisões acidentais, temos a Surveyor 2 da NASA, que perdeu o controle em 23 de setembro de 1966, após um de seus três propulsores falhar na ignição.

No terceiro grupo está a Lunar Orbiter 1. Ela foi enviada pela NASA para tirar fotografias e procurar locais para as missões Surveyor e Apollo. No entanto, em 29 de outubro de 1966, após verificar que não estava mais funcionando corretamente, os engenheiros do projeto decidiram retirá-la de órbita e fazê-la pousar na Lua. Para o último grupo, temos muitos exemplos; mas, falando em pioneiros, em 3 de fevereiro de 1966, a sonda soviética Luna 9 realizou o primeiro pouso suave da história. E lá permanece, como todas as outras.

Viking 1 Viking 1

Ferro-velho em Marte

Há muito menos objetos em Marte do que na Lua, mas aos poucos haverá mais. Atualmente, existem módulos de pouso de missões que falharam, como a Mars 2, que caiu em 1971, ou que, após concluírem com sucesso suas missões, permaneceram lá para passar sua aposentadoria. Este é o caso da Viking 1, cujo módulo de pouso esteve operacional de 1976 a 1982. Há também veículos exploradores em operação, como o Perseverance, ou fora de serviço, como o Spirit, o Opportunity e o Zhurong. Há até um helicóptero aposentado de suas funções, como o Ingenuity.

No futuro, provavelmente haverá mais desses objetos. Por exemplo, a NASA declarou recentemente a sonda MAVEN como perdida, que, após 11 anos, entrou em uma órbita da qual não pode mais ser controlada. Estima-se que a atmosfera marciana a desacelere gradualmente e que ela acabe pousando no Planeta Vermelho dentro de 50 a 100 anos.

Reciclagem espacial é o futuro

Cada grama extra carregada em uma espaçonave conta. Embora nenhuma base permanente tenha sido estabelecida na Lua, muito menos em Marte, muitos cientistas já estão explorando maneiras de aproveitar seus recursos e os de seu entorno. Isso reduziria a necessidade de transportar tantos materiais da Terra. Portanto, não é surpreendente que também existam projetos explorando a reciclagem de espaçonaves desses cemitérios espaciais. Há até planos para coletar detritos espaciais ainda em órbita e levá-los à superfície lunar para reciclar os materiais.

Cuidados com a legislação

O problema é que um país pode não ser capaz de reciclar os materiais de outro. Por exemplo, a Rússia (na ausência da URSS) poderia reciclar os destroços da Luna 2, mas não os da Surveyor 2. O inverso também seria verdadeiro. Isso se deve ao tratado das Nações Unidas que afirma que “o Estado em cujo registro um objeto lançado ao espaço exterior for transportado manterá jurisdição e controle sobre esse objeto e quaisquer pessoas a bordo enquanto ele estiver no espaço exterior”.

Isso colocaria alguns países em significativa desvantagem. Por exemplo, embora a China esteja fazendo progressos significativos em sua jornada rumo à Lua, a realidade é que ela possui apenas quatro espaçonaves no cemitério lunar, em comparação com as oito dos Estados Unidos. Talvez no futuro, quando a necessidade se tornar urgente, certos acordos possam ser firmados, mas, por ora, essa é a legislação vigente. Teremos que ver como as coisas se desenvolvem.

Imagens | Magnific/Unsplash, NASA

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