A China está prestes a inaugurar a primeira fábrica de carros sem pessoas: é o início das “dark factories” 

A indústria automobilística se prepara para um salto histórico: plantas totalmente automatizadas e um terremoto no mercado de trabalho

Dark factory / Imagem: Motorpasión
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Victor Bianchin

Redator
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Victor Bianchin é jornalista.

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Por anos, as fábricas de carros foram um território compartilhado entre pessoas e robôs. Soldagem, pintura e logística já estavam altamente automatizadas, mas a montagem final ainda dependia em grande parte de mãos humanas. Esse equilíbrio está prestes a se romper. A indústria se prepara para o salto definitivo rumo a plantas capazes de fabricar um carro completo sem intervenção humana direta.

Esse modelo é chamado de “dark factory”: fábricas que podem operar até mesmo à noite ou com iluminação mínima, porque não há pessoas dentro. Especialistas ouvidos pelo site Automotive News situam o primeiro caso real antes de 2030, com a China como principal candidata e os Estados Unidos logo atrás.

Das linhas automatizadas à “dark factory”

Para as montadoras, o impacto desse tipo de fábrica seria imediato. Menos interrupções, menos erros, ciclos de produção mais curtos e uma redução muito significativa dos custos de mão de obra. Segundo estimativas da Accenture, “a automação avançada pode reduzir em até 50% os tempos de desenvolvimento e de chegada ao mercado”, algo especialmente crítico em um contexto de transição acelerada para o carro elétrico e com o software dominando tudo.

A China está impulsionando essa mudança a uma velocidade que faz diferença. Lá, os robôs já não se limitam às fábricas: também regulam o tráfego em cruzamentos reais, patrulham espaços públicos e coletam dados urbanos 24 horas por dia. Essa normalização da robótica avançada agora se transfere para a indústria automobilística, com plantas projetadas desde o início para funcionar sem pessoas, apoiadas em sensores que permitem operar até mesmo em ambientes quase às escuras.

O segredo não está apenas na robótica, mas na sua integração com a inteligência artificial e a sistemas de controle capazes de tomar decisões em tempo real. Em paralelo, as grandes fabricantes ocidentais também avançam nesse campo: a Hyundai, uma das mais adiantadas, planeja implantar robôs humanoides da Boston Dynamics em sua fábrica na Geórgia a partir de 2028.

Montagem

A Tesla aposta em uma automação extrema baseada em robôs industriais clássicos, megacastings e software próprio que coordena toda a produção, enquanto desenvolve em paralelo seu robô humanoide Optimus. A BMW e a Mercedes-Benz, por sua vez, testam linhas altamente automatizadas em plantas específicas, combinando robótica avançada com operadores especializados em tarefas críticas de montagem e controle. A diferença, por enquanto, está no grau de substituição humana, não na direção.

O carro também é redesenhado para os robôs

Essa mudança também está alterando o próprio design dos carros. Elementos complexos como os chicotes de cabos, tradicionalmente difíceis de automatizar, começam a ser divididos em módulos ou integrados à estrutura do veículo. A ordem de montagem é redefinida pensando em braços robóticos, e não na ergonomia humana, o que antecipa carros concebidos desde o início para serem montados por máquinas.

Mas o lado B desses avanços é mais do que preocupante. Menos pessoas nas linhas de montagem é um fator que se traduzirá em menos empregos, especialmente em regiões altamente dependentes da indústria automobilística. Especialistas concordam que “muitos postos se transformarão em perfis técnicos, de manutenção, software ou supervisão”, mas a perda líquida de empregos será difícil de absorver sem atritos trabalhistas e políticos se a indústria não se reorganizar em breve.

Imagens | iStock, Mercedes

Este texto foi traduzido/adaptado do site Motorpasión.


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