Elizabeth Wakefield, consultora financeira: "manter todo o seu dinheiro em uma conta corrente é um dos maiores erros que muitas pessoas cometem"

  • Assinaturas digitais esquecidas e pequenos pagamentos recorrentes podem se tornar um dreno silencioso para suas finanças;

  • É aconselhável ter duas contas: uma para transações diárias e outra como reserva de emergência

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Fabrício Mainenti

Redator

Gerir o dinheiro de forma eficaz é um dos maiores desafios em muitas famílias. Embora a educação financeira tenha ganhado destaque nos últimos anos, em parte graças às redes sociais, e num contexto de inflação, aumento das despesas diárias e maior incerteza económica, ainda cometemos erros básicos.

Não se tratam de erros financeiros relacionados a grandes investimentos ou transações complexas que exigem conhecimento especializado. São decisões do dia a dia. E uma delas é centralizar todo o nosso dinheiro em uma única conta bancária.

Muitas pessoas ainda têm uma bagunça de fundos difícil de gerenciar em um único banco: salários, pagamentos, poupança, despesas inesperadas, assinaturas e até mesmo fundos de emergência, tudo coexistindo no mesmo espaço financeiro. Grande erro.

À primeira vista, pode parecer uma maneira conveniente de administrar o dinheiro, mas Elizabeth Wakefield, consultora financeira especializada em finanças pessoais, investimentos e hipotecas, abordou essa questão durante uma participação no podcast Tiene Sentido. Nele, ela explica por que acredita que essa forma de administrar o dinheiro pode se tornar um problema. E esteja avisado, porque a explicação é instigante.

O erro de misturar todos os objetivos  financeiros

Como explicou ao El Confidencial, Wakefield usou um exemplo do dia a dia para ilustrar uma ideia básica de organização financeira.

"Em outras palavras, manter todo o seu dinheiro em uma conta corrente é um dos maiores erros que muitas pessoas cometem. Por quê? Porque é como guardar suas meias junto com seus garfos e martelos em casa. Não faz sentido. Para que servem gavetas e armários, então? Para guardar as coisas em seus devidos lugares."

A comparação destaca uma ideia simples: organizar o dinheiro por função. Assim como distribuímos objetos em diferentes espaços da casa para facilitar a organização, as finanças pessoais também podem ser estruturadas de forma mais eficiente.

A gestão diária geralmente inclui despesas recorrentes, como contas, alimentação, serviços públicos, hipotecas ou aluguel. Se adicionarmos o dinheiro reservado para férias, poupança ou emergências, o panorama geral pode ficar confuso.

Uma conta principal e outra para emergências

Com base em sua experiência profissional, Wakefield propõe uma estrutura que separa necessidades e objetivos.

A primeira conta seria para transações do dia a dia: renda, débitos automáticos, pagamentos mensais e despesas rotineiras.

A partir daí, ela recomenda adicionar uma segunda conta específica para um fundo de emergência. Ela explicou que essa conta, "que idealmente seria uma conta poupança de alto rendimento", seria destinada a guardar dinheiro exclusivamente para situações inesperadas.

Essa reserva financeira teria um propósito específico: cobrir "eventos imprevistos, necessidades urgentes e emergências".

De fato, especialistas em planejamento financeiro frequentemente consideram que ter um fundo equivalente a vários meses de despesas básicas pode reduzir o impacto de situações como problemas mecânicos, perda temporária de renda ou despesas médicas inesperadas.

Além disso, o crescimento das contas poupança de alto rendimento levou muitos poupadores a buscar maneiras de manter liquidez sem sacrificar um retorno moderado.

Economizando aos poucos para despesas futuras

Outra estratégia mencionada por Wakefield envolve antecipar despesas conhecidas por meio de planejamento prévio.

Seguros, férias, impostos, reparos ou grandes compras geralmente ocorrem em datas relativamente previsíveis. No entanto, muitas pessoas esperam até o último minuto para lidar com elas.

Para ilustrar isso, a consultora usou um exemplo concreto: "Vou sair de férias e gastar € 2.500 (cerca de R$ 14.542)."

A ideia é dividir essa despesa futura em pequenas quantias regulares. Como ela explicou: "Mensalmente, isso significa que terei que economizar € 150, € 200 (R$ 872, R$ 1.163), ou o que for."

Essa fórmula transforma um grande desembolso em contribuições menores e mais gerenciáveis. Além disso, as transferências automáticas permitem automatizar o processo e transformar a poupança em uma rotina estável.

Assinaturas esquecidas e despesas ocultas

A organização bancária não é a única questão que preocupa Wakefield. Ela também acredita que muitas pessoas não sabem para onde vai seu dinheiro todos os meses. Durante sua apresentação, ela observou: "Ainda não terminamos de auditar nossos gastos".

Assinaturas digitais são um dos exemplos mais frequentes. Plataformas audiovisuais, armazenamento em nuvem, aplicativos móveis e serviços online podem permanecer ativos por longos períodos com uso mínimo. Na verdade, eles já representam uma despesa anual de € 280 (R$ 1.628) que quase nem percebemos.

Diversos estudos sobre hábitos de consumo sugerem que o acúmulo de pequenos pagamentos recorrentes pode se tornar um ralo financeiro silencioso.

A TAEG como um verdadeiro indicador de financiamento

Outro aspecto relevante surge quando se trata de financiar compras. O crescimento das opções de pagamento parcelado aumentou o acesso ao crédito. No entanto, entender os termos reais ainda é um desafio para muitos consumidores.

Wakefield enfatizou a importância de prestar atenção à TAEG em comparação com outros indicadores financeiros:

"A TAEG é a taxa anual de juros, que representa quanto esse dinheiro, esse financiamento, me custa, levando em consideração todos os custos extras".

A diferença é importante porque esse indicador incorpora elementos adicionais que permitem uma melhor compreensão do impacto econômico real de uma transação financeira.

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