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Conseguir um eletricista ou um carpinteiro nos EUA ficou quase impossível — todos estão construindo centros de dados para IA

Empresas de tecnologia estão investindo milhões para formar trabalhadores que construirão seus centros de dados

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Victor Bianchin

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Victor Bianchin é jornalista.

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Os EUA concentram um terço de todos os centros de dados do mundo e, como sabemos, a construção de novas infraestruturas avança em um ritmo vertiginoso. Além de investimentos bilionários e muita eletricidade, esses centros de dados precisam de mais uma coisa: mão de obra. Em especial, profissionais de colarinho azul, como eletricistas e carpinteiros, a ponto de estar surgindo uma enorme escassez desses trabalhadores no restante do setor da construção.

O jornal New York Times conta que as empresas de tecnologia estão construindo centros de dados em um ritmo sem precedentes para dar suporte aos seus modelos de IA. Estamos falando de infraestruturas gigantescas que exigem uma enorme quantidade de mão de obra que, simplesmente, não existe no mercado. Diante da escassez, as empresas de tecnologia passaram a formar milhares de carpinteiros e eletricistas. Além disso, como todas competem pelos mesmos profissionais, desencadearam uma disputa para reter e atrair trabalhadores oferecendo salários cada vez mais altos.

Como não há candidatos suficientes para esses empregos, as empresas de tecnologia e os investidores em centros de dados decidiram encontrá-los a qualquer custo, chegando até mesmo a recrutar jovens que acabaram de concluir o ensino médio. Estes são alguns dos programas de formação que colocaram em prática:

  • O Google investiu US$ 50 milhões na Electrical Training Alliance, uma parceria que pretende formar mais de 300 mil trabalhadores, incluindo eletricistas, soldadores e técnicos de sistemas de refrigeração.
  • A BlackRock destinou outros US$ 100 milhões para reforçar o quadro de profissionais qualificados em seus centros de dados no Texas.
  • A Meta lançou a America's Workforce Academy, com um investimento de US$ 115 milhões no primeiro ano, para formar cerca de 5 mil trabalhadores por meio de cursos intensivos de quatro semanas, com viagem e hospedagem pagos.

Formar os trabalhadores é apenas o começo: também é preciso retê-los. Segundo dados do site de vagas Indeed, os empregos de instalação e manutenção em centros de dados pagam 42% mais do que funções equivalentes em outros setores. Em regiões com alta concentração de projetos, como o norte do estado da Virgínia, a disputa por profissionais é extremamente acirrada, o que leva muitos trabalhadores a trocarem de empresa em troca de bônus mais altos.

O outro lado da moeda

Construir um centro de dados não é um trabalho para qualquer pessoa. Muitas vezes, exige deslocamentos para regiões remotas e jornadas exaustivas. Por exemplo, a OpenAI tem um projeto em andamento em Michigan para o qual procura eletricistas dispostos a trabalhar dez horas por dia, sete dias por semana. Em entrevista ao jornal New York Times, um desses aprendizes de eletricista afirmou: "Entendo o atrativo, mas também gosto de ter uma vida fora do trabalho".

Outra questão é que, como os centros de dados estão absorvendo mão de obra em excesso, estão provocando escassez em outros segmentos da construção, como habitação, obras de infraestrutura e indústria. Segundo Mario Iacobacci, responsável pela área de construção e infraestrutura da Oxford Economics, "não há dúvida de que os recursos são muito limitados, portanto decidir construir uma coisa inevitavelmente afeta outras". Em outras palavras, construir tantos centros de dados faz com que outros projetos sejam adiados ou cancelados.

Durante a construção, são necessários muitos trabalhadores, mas, depois que o centro de dados entra em operação, apenas um pequeno número de funcionários é suficiente. A pergunta lógica é o que acontecerá com toda essa mão de obra quando essa corrida do ouro chegar ao fim. Pesquisadores da Universidade de Georgetown afirmam que o melhor cenário seria um boom no mercado imobiliário justamente nesse momento, capaz de absorver esses trabalhadores, mas admitem que isso é pouco provável.

O risco é que, quando tudo terminar, os salários altos que estão sendo pagos atualmente (até US$ 200 mil por ano) deixem de existir, causando uma debandada de eletricistas e outros profissionais qualificados. Isso pode aumentar a oferta de trabalhadores no restante do setor da construção, causando uma queda generalizada nos salários.

Imagem: Xataka com Magnific

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.


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