China deu origem a uma nova elite tecnológica: rica, globalizada e cada vez mais invisível

China passou de construir fortunas com tijolos e fábricas a gerar bilionários graças à inteligência artificial e aos semicondutores

País já ostenta 29 bilionários que construíram suas próprias fortunas com menos de 40 anos

Imagem | Pop Mart, CXMT, Unsplash (aboodi vesakaran)
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PH Mota

Redator
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PH Mota

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Jornalista há 15 anos, teve uma infância analógica cada vez mais conquistada pelos charmes das novas tecnologias. Do videocassete ao streaming, do Windows 3.1 aos celulares cada vez menores.

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Há mais de vinte anos, um engenheiro chinês que trabalhava no Vale do Silício com pouco mais do que um projeto de chip escreveu uma frase em um e-mail que soou como delírio na época: ele previu que o mercado global de memória acabaria, mais cedo ou mais tarde, nas mãos de empresas chinesas. Quase ninguém deu atenção. Hoje, esse engenheiro é um dos maiores bilionários da tecnologia da China, com uma fortuna estimada em US$ 15,5 bilhões, segundo a Forbes.

Sua empresa acaba de abrir capital com uma força que pegou metade do mercado asiático de surpresa. E ele não é um caso isolado. Atrás dele, há toda uma geração de jovens empreendedores chineses com fortunas enormes. Ao contrário de seus pares norte-americanos, seu objetivo é permanecer completamente discreto, adotando um perfil público discreto.

Milionários chineses: da construção civil aos chips

O engenheiro visionário do Vale do Silício se chama Zhu Yiming e fundou a CXMT (ChangXin Memory Technologies), a maior fabricante chinesa de chips de memória DRAM. Quando abriu seu capital em Xangai, suas ações subiram 500% no primeiro dia, ultrapassando a Intel em valor de mercado. Em 2018, Zhu prometeu não receber seu salário até que a empresa se tornasse lucrativa. Ele cumpriu sua promessa.

Zhu Yiming, Fundador e CEO da CXMT Zhu Yiming, Fundador e CEO da CXMT

Zhu não está sozinho nessa nova onda de milionários chineses que fizeram a transição de construir suas fortunas nas indústrias siderúrgica, da construção civil ou imobiliária para jovens empreendedores cujas startups se tornaram a vanguarda da tecnologia em IA e desenvolvimento de semicondutores. De acordo com o relatório da Hurun de 2026, a China já conta com 29 bilionários que construíram suas próprias fortunas com 40 anos ou menos.

Liang Wenfeng, fundador da DeepSeek, raramente concedia entrevistas quando seu modelo de IA abalou o Vale do Silício. Sua empresa acaba de fechar uma nova rodada de financiamento e, com ela, sua fortuna subiu para US$ 36 bilhões. Essa estimativa coloca sua riqueza acima da de Dario Amodei ou Sam Altman.

Milionários com visão global

Essa nova geração de milionários na China é diferente da anterior. Os grandes nomes da década de 1990 enriqueceram impulsionados pelo crescimento imobiliário e por grandes fábricas voltadas para o Ocidente. Seus objetivos de crescimento estavam focados na China e eles não consideravam a expansão para além de suas fronteiras.

Em contraste, os novos milionários têm uma visão mais global para seus produtos. Wang Ning criou os bonecos Labubu para a PopMart e se tornou a décima pessoa mais rica da China e a mais jovem a alcançar esse feito. Seu brinquedo triunfou em metade do mundo antes mesmo de muitos saberem pronunciar seu nome. Ele não nasceu com a aspiração de permanecer exclusivamente na China.

Em 2017, Junjie Zhang fundou algo tão profundamente enraizado na cultura chinesa quanto uma rede de chás com leite: a Chagee. Apenas dois anos depois, ele abriu sua primeira loja fora da China e, nove anos depois, a empresa se tornou um sucesso global, listada na Nasdaq e operando em diversos países.

Esses novos milionários não apenas adotaram uma filosofia mais global em suas empresas, como também se conectaram com as necessidades de seus funcionários. Durante anos, a cultura empresarial chinesa girou em torno do modelo 996: trabalhar das nove da manhã às nove da noite, seis dias por semana.

Milionários como Jack Ma e o fundador da JD.com defenderam esse modelo de trabalho. No entanto, a nova geração está rompendo com essa tradição para atrair os melhores talentos.

Preço do crescimento rápido

Contudo, nem tudo são vantagens para essa nova elite de bilionários. O governo chinês continua monitorando de perto os movimentos de suas vastas fortunas desde que puniu Jack Ma de forma exemplar. Isso aconteceu depois que ele fez um discurso criticando os reguladores do mercado financeiro em 2020.

Em 2026, Pequim bloqueou a venda da startup de inteligência artificial Manu para a Meta por dois bilhões de dólares. Seu fundador, Xiao Hong, teria se tornado bilionário se o negócio tivesse sido concretizado.

Esses tipos de conflitos explicam por que tantos empreendedores de sucesso na China evitam os holofotes. Eles temem que uma mudança política na China ou nos EUA possa afetar seus negócios da noite para o dia, expondo suas fortunas. Eles deixam que seus produtos, e não suas personalidades, sejam notícia no mundo todo.

A elite chinesa com a mentalidade mais globalizada também é a mais difícil de reconhecer nas ruas.

Imagem | Pop Mart, CXMT, Unsplash (aboodi vesakaran)

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