Zhuangzi foi um filósofo chinês da Antiguidade que viveu por volta do século IV a.C. Considerado o segundo taoísta mais importante, atrás apenas de Lao Tzu, especialistas associam seu pensamento ao da escola cínica da Grécia Antiga.
Recentemente, um provérbio atribuído a este pensador viralizou nas redes sociais: "Uma árvore torta vive a sua própria vida, mas uma árvore reta torna-se madeira". Essa frase contém uma reflexão sobre liberdade, utilidade e o valor das "imperfeições".
O que significa esse provérbio?
Embora não seja explicitamente declarado, a ideia por trás da frase vem de uma história em uma obra de mesmo nome do autor. Nessa história, um amigo de Zhuangzi, o filósofo Hui Shi, lhe conta que possui uma árvore antiga que é "tão retorcida e nodosa que não se pode medir com uma fita métrica, e seus galhos tão curvados e deformados que não podem ser esquadrejados". Ele explica ainda que, devido à sua forma, nenhum carpinteiro se daria ao trabalho de examiná-la, razão pela qual ela viveu tanto tempo.
Zhuangzi então responde que poderia relaxar e dormir ao lado de sua árvore sem preocupações. Como ela não é adequada para se tornar madeira, a árvore pode continuar a crescer à sua maneira e sobreviver, ao contrário das árvores consideradas "úteis".
"Machados nunca encurtarão sua vida, nada jamais poderá feri-la. Se ela não tem utilidade, como poderia sofrer ou sentir dor?"
O valor do "inútil" e a sociedade do esgotamento
Refletindo sobre o mundo atual, não é de se admirar que uma citação como a de Zhuangzi ressoe com tanta força. Em seu livro A Sociedade do Esgotamento, o filósofo coreano-alemão Byung-Chul Han argumenta que a sociedade moderna é uma sociedade de performance, governada por demandas autoimpostas.
Segundo Han, nesse modelo, a exploração não vem mais de terceiros, mas de nós mesmos: em nossa busca por produtividade constante, exigimos que otimizemos cada minuto e transformemos qualquer talento em "madeira utilizável" para o mercado. Como consequência dessa autoexploração, diz o filósofo, temos pessoas cada vez mais exaustas e deprimidas.
Por isso, é curioso observar como, já no século IV a.C., Zhuangzi nos alertava sobre essa forma de pensar e de nos enxergarmos. Ao mesmo tempo, ele defendia o valor da inatividade e da imperfeição de uma árvore que, ao não se tornar matéria-prima, conserva sua liberdade e sua vida.
Imagem | Pexels
Texto traduzido e adaptado do site parceiro Xataka México.
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