Pare de esfregar os olhos: exame mostra o que acontece com o globo ocular e por que o hábito pode prejudicar a visão

Hábito de esfregar os olhos pode causar microtraumas na córnea e aumentar o risco de alterações permanentes na visão

Cornea
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Natália P. Martins

Redatora

Esfregar os olhos parece um gesto inofensivo e automático. No entanto, exames de imagem realizados por oftalmologistas mostram que esse simples movimento provoca uma deformação significativa do globo ocular enquanto a pressão é exercida.

Embora o olho volte ao formato normal logo em seguida, repetir esse hábito com frequência pode causar microtraumas na córnea e aumentar o risco de alterações na visão. Em alguns casos, a fricção constante está associada ao desenvolvimento ou à progressão do ceratocone, doença que modifica o formato da córnea e pode comprometer a qualidade da visão.

Exame revela como o olho se deforma durante a fricção

Imagens obtidas por equipamentos de diagnóstico ocular em tempo real mostram que, ao esfregar os olhos com força, o globo ocular sofre uma compressão intensa. A pressão faz com que a córnea, estrutura transparente localizada na parte frontal do olho, se deforme temporariamente.

Em pessoas saudáveis, essa alteração costuma desaparecer assim que a pressão é interrompida. O problema é que o atrito repetitivo pode provocar pequenas lesões nas fibras de colágeno que dão sustentação à córnea.

Como essa estrutura possui espessura de apenas cerca de meio milímetro em sua região central, ela é especialmente sensível a impactos mecânicos repetitivos.

Esfregar os olhos com frequência aumenta o estresse mecânico sobre a córnea, favorecendo alterações em sua curvatura. Em algumas pessoas, isso pode contribuir para o aumento do grau de astigmatismo e acelerar mudanças estruturais já existentes.

Ceratocone é uma das principais preocupações dos oftalmologistas

Entre as doenças mais associadas ao hábito de esfregar os olhos está o ceratocone, condição em que a córnea perde resistência e passa a assumir um formato semelhante ao de um cone.

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Essa alteração modifica a forma como a luz entra no olho, provocando visão embaçada, aumento progressivo do astigmatismo, sensibilidade à luz, imagens distorcidas e dificuldade para enxergar mesmo com óculos.

Embora o ceratocone tenha forte componente genético, diversos estudos apontam que a fricção intensa e frequente dos olhos é um dos principais fatores que contribuem para o aparecimento ou agravamento da doença, especialmente em pessoas predispostas.

Nos casos mais avançados, pode ser necessário recorrer a lentes especiais, procedimentos como o crosslinking da córnea — que aumenta a resistência do tecido — ou até mesmo um transplante de córnea.

Coceira nos olhos deve ser tratada, não aliviada com atrito

Grande parte das pessoas esfrega os olhos por causa de alergias, olho seco, cansaço ou entrada de poeira. Nessas situações, os oftalmologistas recomendam tratar a causa da irritação, em vez de recorrer ao atrito.

Dependendo da origem do problema, podem ser indicados colírios lubrificantes, medicamentos antialérgicos ou outras terapias específicas.

Se a vontade de esfregar os olhos for frequente, vier acompanhada de vermelhidão persistente, dor, secreção ou piora da visão, a recomendação é procurar um oftalmologista para investigar a causa.

Imagens: Shutterstock

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