Os humanos desenvolveram a escrita há 5.500 anos. Essa habilidade foi fundamental para o desenvolvimento da nossa civilização e nos permitiu registrar nossa história. Hoje em dia, no entanto, escrevemos menos, especialmente a Geração Z, que cresceu em ambientes 100% digitais.
Os cientistas vêm alertando há anos que o uso de lápis e papel tem um efeito positivo em nosso cérebro. Por outro lado, afirmam que abandonar a escrita manual pode repercutir negativamente na estrutura e na agilidade mental.
Embora digitar em um computador ou celular cumpra o mesmo efeito prático que escrever com uma caneta, as duas atividades são muito diferentes do ponto de vista neurológico. Ao digitar, os dedos executam um movimento idêntico, independentemente da letra. Em contrapartida, escrever à mão é uma tarefa psicomotora complexa que exige precisão tridimensional, orientação espacial e controle motor fino guiado por retroalimentação visual contínua.
Em 2024, uma equipe da Universidade Norueguesa de Ciência e Tecnologia, liderada por Audrey van der Meer, realizou uma análise cerebral por meio de eletroencefalografia. Os cientistas observaram que traçar os caracteres à mão desencadeia padrões de conectividade funcional notavelmente mais amplos em regiões parietais e centrais. Em especial, notaram que a presença de oscilações nas bandas theta e alfa aumenta, o que está relacionado à memória operacional, à atenção sustentada e à aquisição de novos aprendizados.
Escrever mais devagar para aprender melhor
Dez anos antes, em 2014, outra pesquisa publicada por cientistas estadunidenses apontou que fazer anotações no computador costuma resultar em uma transcrição passiva e literal do discurso. Em contraste, a lentidão física da escrita manual obriga o cérebro a prestar atenção, sintetizar, priorizar e interpretar as informações em tempo real antes de registrá-las.
O estudo aponta que a compreensão conceitual gerada pela velocidade mais lenta da escrita manual é significativamente superior à da escrita no teclado. Nesse mesmo sentido, estudos da neurocientista Karin James, da Universidade de Indiana, demonstraram que desenhar as letras ativa os neurônios responsáveis pela linguagem e pela leitura, algo que beneficia tanto crianças quanto adultos.
Alejandro Andersson, diretor do Instituto de Neurologia Buenos Aires, afirma que, em adultos e idosos, escrever à mão funciona como um exercício de estimulação cognitiva semelhante a aprender um novo idioma ou tocar um instrumento. Por exigir planejamento, sequenciamento e atenção, ajuda a manter a plasticidade cerebral e a desacelerar processos de deterioração cognitiva.
Pausas sem telas para consolidar a memória
É claro que o aprendizado não termina quando soltamos a caneta. De acordo com María del Valle Varo García, da Universidade de Deusto, na Espanha, a memória de curto prazo requer fazer uma pausa longe de dispositivos eletrônicos para poder transferir o que foi aprendido para a memória de longo prazo. As pausas analógicas e um descanso adequado permitem que o cérebro organize e assimile o que foi aprendido.
Os cientistas não propõem o desaparecimento dos teclados; afinal, vivemos em uma época em que a imediatidade é a norma. No entanto, reservar alguns minutos para escrever à mão é um hábito acessível que pode trazer muitos benefícios para o cérebro.
Imagem | Anna Pou (Pexels)
Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka México.
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