Mulheres dormem consistentemente pior do que homens, e a ciência finalmente descobriu o porquê

Existem diferenças importantes entre homens e mulheres na qualidade do sono

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PH Mota

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PH Mota

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Jornalista há 15 anos, teve uma infância analógica cada vez mais conquistada pelos charmes das novas tecnologias. Do videocassete ao streaming, do Windows 3.1 aos celulares cada vez menores.

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https://www.xataka.com/medicina-y-salud/mujeres-duermen-sistematicamente-peor-que-hombres-ciencia-ha-descubierto-al-fin-a-que-se-debe

Durante anos, presenciou-se em muitos lares a percepção de que as mulheres tendem a dormir pior, acordam mais vezes e sentem-se mais cansadas do que os homens. Essa percepção foi, por muito tempo, descartada como mera subjetividade, mas a ciência agora busca encerrar o debate, apontando que não se trata apenas de uma percepção, mas sim de uma diferença comprovada entre os gêneros.

Os dados

O Inquérito Global sobre o Sono de 2025, realizado com uma amostra massiva de mais de 30 mil pessoas em 13 países, revelou um dado crucial: 38% das mulheres têm dificuldade em adormecer mais de três vezes por semana, em comparação com 29% dos homens.

Testes realizados com sensores de movimento sugerem que as mulheres, por vezes, apresentam maior "eficiência do sono" no papel, mas essa percepção se traduz em maior cansaço. O responsável por isso é a fragmentação do sono, relacionada com despertares constantes ou, no caso das mães, com a necessidade de se levantarem para cuidar de um bebê, por exemplo.

Fator hormonal

É sem dúvida uma das grandes diferenças que existem entre homens e mulheres, visto que os níveis de estrogênio e progesterona flutuam drasticamente durante o ciclo menstrual, a gravidez ou a menopausa.

No caso específico da menopausa, observa-se como a queda nos níveis de estrogênio, além de produzir alterações na formação óssea, também aumenta a deterioração imediata do sono. Os dados sugerem que 51% das mulheres na menopausa sofrem de distúrbios do sono, uma grande diferença: 44% das mulheres nessa fase relatam problemas sérios, em comparação com 33% das mulheres que não estão na menopausa.

Se considerarmos a gravidez, vemos algo semelhante, com alterações físicas (devido ao desconforto) e hormonais que criam um padrão de alerta que muitas vezes não se recupera totalmente até anos após o parto.

Carga mental

Além da carga hormonal, o fator social é talvez o mais difícil de controlar. Um dos mais importantes é o papel que as mulheres desempenham, em muitos casos, no cuidado com outras pessoas. De acordo com dados compilados pela Universidade de Michigan e diversas revisões publicadas no BMJ Open, mulheres empregadas acordam duas vezes mais frequentemente que seus parceiros para cuidar de filhos ou familiares dependentes, mesmo quando são as principais provedoras da família.

Esse papel de "cuidadora" mantém o cérebro em estado de alerta constante, atento ao choro de um bebê à noite ou às necessidades de um familiar dependente. Isso faz com que 76% das cuidadoras relatem má qualidade do sono, já que o cérebro não consegue se desconectar inconscientemente para monitorar o bem-estar do ambiente.

Consequências

Dormir mal não significa apenas cansaço no dia seguinte, mas também acarreta consequências clínicas mais sérias. Uma das mais importantes é o aumento da probabilidade de desenvolver doenças metabólicas, como diabetes.

Além disso, acelera o declínio cognitivo e aumenta a incidência de transtornos de ansiedade e depressão. E o interessante é que o cérebro feminino privado de sono é mais vulnerável à desregulação emocional.

A comunidade científica, desde o Instituto de Pesquisa do Sono (IIS) até publicações na revista Frontiers in Psychiatry, concorda que não basta melhorar a "higiene do sono" simplesmente deixando o celular de lado antes de dormir, por exemplo. O foco principal é a terapia social, promovendo mudanças na estrutura do lar que evitem a fragmentação do sono causada por levantar-se para cuidar de alguém, por exemplo.

Mas, logicamente, se você está na perimenopausa (fase de transição natural que antecede a menopausa), também deve procurar um médico para receber tratamento farmacológico sempre que houver uma desregulação hormonal significativa.

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