O Sol está longe de ser uma esfera tranquila: sua superfície produz constantemente fenômenos que conseguem lançar grandes quantidades de partículas carregadas pelo espaço. Quando essas partículas chegam à Terra e interagem com seu campo magnético, podem provocar tempestades geomagnéticas e criar auroras boreais. Nesta semana, a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) monitora várias ejeções de massa coronal que podem provocar uma pequena tempestade geomagnética, com possibilidade de auroras no Canadá e no norte dos Estados Unidos na noite de 9 de setembro de 2026. O problema é que, por trás do espetáculo no céu, esse “clima espacial”, formado principalmente pela atividade do Sol e seus efeitos sobre a Terra, também pode interferir em tecnologias das quais você e toda a sociedade atual depende.
Tempestades solares podem afetar satélites, GPS e redes de energia
Quando o Sol fica mais ativo, ele pode liberar uma quantidade enorme de energia e partículas para o espaço. Uma parte desse material segue em direção à Terra e pode provocar desde auroras coloridas até alterações em sistemas tecnológicos, dependendo da intensidade do evento. Mas o que viaja pelo espaço nesses casos não é exatamente uma “explosão” como costumamos imaginar. O material é formado principalmente por plasma, um gás eletricamente carregado, que pode ser lançado pelo Sol durante erupções solares e, principalmente, por ejeções de massa coronal. Ao alcançar a região terrestre, essas partículas interagem com o campo magnético do planeta e podem desencadear tempestades geomagnéticas.
É essa interação entre o material lançado à Terra e o campo magnético que produz as auroras. O problema é que o mesmo fenômeno pode causar efeitos que afetam a tecnologia. Entre os principais efeitos estão:
- Satélites: o aumento de partículas na atmosfera pode elevar o arrasto atmosférico, fazendo com que alguns satélites percam altitude e precisem de correções em sua trajetória;
- Comunicações por rádio: tempestades geomagnéticas podem alterar as condições da ionosfera e interferir nas ondas de rádio usadas pelos satélites para se comunicar com a Terra;
- GPS e sistemas de posicionamento: como dependem de sinais de rádio, esses sistemas também podem sofrer perturbações, afetando setores como aviação, transporte marítimo, robótica, agricultura e outras atividades que dependem de informações precisas de localização.
Os efeitos já foram vistos recentemente. As tempestades solares de 2025 chegaram a interromper algumas comunicações via satélite e acionaram alarmes relacionados ao superaquecimento em redes elétricas. Um evento histórico ajuda a dimensionar o risco desse problema: em 1859, uma grande erupção solar provocou uma tempestade geomagnética tão intensa que linhas telegráficas entraram em curto-circuito, enquanto auroras muito brilhantes iluminaram o céu. A infraestrutura atual é incomparavelmente mais complexa e conectada, por isso, uma tempestade forte poderia atingir redes de telefonia celular e de energia elétrica, afetando sistemas que sustentam comunicações, transporte, serviços públicos, como redes de esgoto, e vários outros.
NASA monitora o Sol para tentar prever quando a tecnologia estará em risco
Auroras são um dos efeitos mais visíveis das tempestades geomagnéticas, mas a atividade solar que provoca o fenômeno também pode interferir em satélites, sistemas de posicionamento e redes de comunicação
Se o clima espacial pode atingir satélites, GPS e redes elétricas, uma das principais formas de reduzir os danos é saber quando um evento está a caminho. Por isso, agências espaciais mantêm missões focadas a observar o Sol, o vento solar e os efeitos dessas partículas sobre a Terra.
A NASA ampliou esse monitoramento em 2025. Em março, lançou uma missão formada por quatro satélites para estudar como a camada externa do Sol produz o vento solar. Em setembro, a Interstellar Mapping and Acceleration Probe (IMAP) e o Carruthers Geocorona Observatory seguiram para o ponto de Lagrange L1, entre a Terra e o Sol. A posição permite observar o Sol de forma privilegiada. A IMAP vai estudar o vento solar e mapear até onde as partículas lançadas pela estrela conseguem chegar, enquanto a Carruthers observará o comportamento da camada externa da atmosfera terrestre durante eventos de clima espacial.
Para 2027, a NASA planeja lançar a Sun Coronal Ejection Tracker, missão com foco em acompanhar e analisar como as ejeções de massa coronal mudam enquanto deixam o Sol. Esse monitoramento pode ajudar a reduzir os impactos na Terra, já que com previsões mais precisas, por exemplo, operadores de redes elétricas poderiam reduzir ou redirecionar o fluxo de eletricidade antes da chegada de uma ejeção de massa coronal, diminuindo o risco de um colapso.
Os cientistas também estão preocupados com a Lua. Com os planos da NASA de enviar humanos de volta ao satélite antes do fim de 2030, prever tempestades solares se torna ainda mais importante, já que a Lua não possui um campo magnético como o da Terra. Em eventos solares muito intensos, a radiação recebida por um astronauta na superfície lunar poderia atingir níveis extremamente altos. Por isso, pesquisadores trabalham no desenvolvimento de sistemas que consigam prever esses fenômenos com antecedência, para que os astronautas possam ter tempo de buscar abrigo e que operadores na Terra tenham tempo de proteger infraestruturas críticas.
Ver 0 Comentários