Todas as atenções estão voltadas para o estreito de Ormuz, por onde passa 20% do petróleo do mundo. O caos reina nesse gargalo de apenas 33 km e há algo que está contribuindo para complicar tudo ainda mais: o GPS não funciona. Não se trata de um problema pontual, mas de algo cada vez mais comum que está tendo consequências que vão além da própria guerra.
A BBC relata que há centenas de navios na área do estreito de Ormuz e que os sistemas de localização os situam em posições que não fazem sentido algum; alguns aparecem empilhados uns sobre os outros, outros formam círculos impossíveis sobre a terra. A causa é que suas coordenadas de GPS foram alteradas por meio de algum tipo de bloqueador. Isso aumenta o risco de colisões marítimas, especialmente quando há baixa visibilidade.
Em uma reportagem do Wall Street Journal, é explicado que bloqueadores e falsificadores de sinal de GPS se tornaram uma ferramenta indispensável em zonas de conflito como a Ucrânia e, agora, o Irã, como pode ser visto neste mapa. O que eles fazem é confundir drones e munições guiadas para que errem seus alvos.
O conflito na Ucrânia já provou que esses sistemas funcionam. Segundo um relatório entregue ao Departamento de Defesa dos Estados Unidos, a precisão da artilharia Excalibur era de 70% quando começou a ser usada na Ucrânia, mas, seis semanas depois, era de apenas 6%, porque “os russos adaptaram seus sistemas de guerra eletrônica para combatê-la” com bloqueadores de GPS. Muitos desses dispositivos são muito acessíveis e cabem no bolso, o que torna muito fácil utilizá-los em campo.
Consequências
Em 2024, um voo da American Airlines sobrevoava o Paquistão quando começou a soar o alerta “pull up”, que é acionado quando o avião está muito perto do solo, mas a aeronave estava a 32.000 pés de altitude. Foi uma interferência no GPS. Em abril do mesmo ano, a companhia aérea Finnair suspendeu seus voos para a Estônia durante um mês. O motivo: a Rússia.
As companhias aéreas dependem muito do GPS e as interferências às vezes provocam falhas como essas. Também houve voos que precisaram ser desviados para outros aeroportos por esse motivo, como aconteceu com o voo em que viajava Ursula Von Der Leyen em setembro do ano passado.
O Global Positioning System é um sistema de navegação por satélite criado pelos EUA na década de 1960. Foi desenvolvido para uso militar, mas acabou se tornando parte da infraestrutura crítica da economia digital. Existem outros sistemas semelhantes que utilizam satélites, como o GLONASS (Rússia), o BeiDou (China) e o Galileo (Europa), mas o GPS é o mais usado em nível global.
O fato de dependermos tanto do GPS faz com que qualquer degradação tenha um impacto em cascata sobre muitos serviços essenciais, mas há também outro fator: o sinal precisa percorrer 20.000 quilômetros desde o satélite e, por isso, quando chega até nós, é muito fraco. Esse é o ambiente perfeito para que seja extremamente fácil alterá-lo.
As fragilidades do GPS tornam urgente a busca por alternativas robustas para setores críticos, como o da aviação. Existem os sistemas de navegação inercial, que utilizam giroscópios e acelerômetros para calcular a posição e já são usados na indústria aeroespacial, na defesa e em veículos autônomos. Também está sendo desenvolvido um sistema que usa sensores quânticos que se orientam pelo magnetismo terrestre, além de câmeras combinadas com algoritmos de IA para “ler” o terreno.
No entanto, apesar dessas fragilidades, o GPS continua sendo o sistema mais poderoso de todos por sua ubiquidade e precisão. Esses sistemas alternativos não cobrem todo o espectro de necessidades, por isso a tendência é utilizar várias fontes para suprir essas lacunas.
Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.
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