A China e a Coreia do Norte estão prestes a colocar em operação uma ponte de 3 km construída no rio Yalu, na fronteira entre os dois países. A estrutura ficou praticamente abandonada por cerca de 12 anos, teve as obras retomadas recentemente e agora está na fase final de construção. Imagens de satélite analisadas pela empresa sul-coreana SI Analytics indicam que as instalações de alfândega e imigração estão quase prontas, junto com a pavimentação e o acabamento das áreas ao redor. A conclusão acontece em meio à reaproximação entre os dois países, que também voltaram a ampliar as conexões de transporte entre seus territórios.
Ponte foi construída pela China, mas ficou sem ligação com a Coreia do Norte
Para entender por que uma ponte que já estava pronta de um lado levou tantos anos para ser concluída, é preciso voltar ao início do projeto. A construção fazia parte de uma tentativa de ampliar as conexões econômicas e de transporte entre China e Coreia do Norte, mas acabou paralisada antes mesmo de ser finalizada. A China concluiu sua parte da estrutura em 2014, com duas pistas em cada sentido, planejadas para conectar a cidade chinesa de Dandong às zonas de livre comércio da região com Sinuiju, no lado norte-coreano.
O lado coreano só começou a ser construído recentemente. Segundo a SI Analytics, a Coreia do Norte conseguiu avançar rapidamente nas obras e, em apenas quatro meses, executou uma etapa que havia permanecido parada por aproximadamente 12 anos. As imagens de satélite analisadas pela empresa mostram que a ponte já está próxima da conclusão. Entre os sinais estão a pavimentação das estradas, o paisagismo no entorno e a retirada das estruturas temporárias usadas durante a construção. Também foi construída uma grande estrutura de entrada no lado norte-coreano, destinada ao controle da passagem pela fronteira. O local traz o nome oficial do país, República Popular Democrática da Coreia, acompanhado de uma grande bandeira nacional.
Reaproximação com a China pode devolver movimento à fronteira
A retomada da ponte acontece em um momento de mudança nas relações entre China e Coreia do Norte. Durante a pandemia de Covid-19, os intercâmbios entre os países foram interrompidos, enquanto Coreia também estreitou sua relação com a Rússia, inclusive com o envio de tropas e armas para apoiar o país na guerra na Ucrânia. No fim de 2025, porém, a China começou a buscar uma reaproximação com a Coreia. Em junho, o presidente chinês Xi Jinping visitou a Coreia do Norte, enquanto os dois países retomaram serviços de trem de passageiros e voos diretos entre suas capitais.
A própria ponte já apresenta sinais de que foi planejada para receber diferentes tipos de tráfego. Em maio, imagens de satélite mostraram que o lado chinês recebeu marcações indicando faixas específicas para caminhões e veículos de passageiros, embora a estrutura ainda não tivesse sido aberta. A nova ligação também ganha importância por acontecer poucos dias depois de outro projeto de transporte envolvendo a Coreia do Norte. Em 7 de setembro, o país inaugurou sua primeira ponte rodoviária com a Rússia, ampliando a conexão terrestre entre os dois territórios.
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