Se você já pesquisou um pouco sobre empresas japonesas, deve ter notado que muitas líderes mundiais foram fundadas com um objetivo completamente diferente do que têm hoje. A Sharp começou inventando a primeira lapiseira e a Nintendo, produzindo cartas de baralho.
Não é surpresa que a Toyota, a maior fabricante de automóveis do mundo, tenha tido a mesma trajetória. Na década de 1920, a empresa fabricava teares e se chamava Toyoda. Manteve esse nome na época e continua sendo até hoje, pois o Tear Automático Toyoda ainda está em produção.
Essa empresa recebeu o nome de seu fundador, Sakichi Toyoda, que é um dos ancestrais de Akio Toyoda, o atual presidente da empresa, e pai de Kiichido Toyoda. Hoje, a Toyota é a maior fabricante de automóveis do mundo, e seu nome vem do fato de que seus kanjis exigem oito traços (um número considerado de sorte no Japão), e Kiichido interpretou isso como um bom presságio para a criação de uma nova empresa.
O legado daqueles tempos é em grande parte filosófico, mas algo tangível permanece. Embora hoje a Toyota seja uma gigante com mais de 70 fábricas espalhadas pelo mundo, há algo que ela herdou quase um século depois: um legado de 700 toneladas: a prensa Komatsu.
Noventa anos
Em 2024, a Toyota havia se proposto um desafio gigantesco: transportar uma máquina de 700 toneladas do Brasil para o Japão.
A empresa havia se proposto algo que só se faz quando se tem um amor especial por algo. Sua fábrica em São Paulo teve que fechar as portas após 60 anos de operação. Para manter a produção, a Toyota transferiu sua prensa de estampagem Komatsu para lá.
Fábrica da Toyota em São Paulo operando a plena capacidade
A prensa de estampagem Komatsu tem uma história curiosa. Por 60 anos, ela serviu como prensa de estampagem no Brasil, mas quando começou a operar em São Paulo, já carregava consigo uma história. Na década de 1930, quando a Toyota ainda era Toyoda e fabricava teares, adquiriu essa máquina. Sua potência era tamanha que, quando a empresa entrou no ramo automotivo, ela podia estampar peças de carroceria, e a Toyota, naturalmente, tentou recuperar seu investimento.
Com apenas alguns anos de uso, a gerência decidiu manter a máquina funcionando o máximo possível. Mas a prensa Komatsu está em operação há muito mais tempo do que o esperado. Como já mencionamos, na década de 1960 a empresa a enviou para o Brasil, onde operou até alguns anos atrás. Os registros contábeis da empresa deveriam incluir uma seção separada dedicada à depreciação dessa máquina, para demonstrar à nova administração como tornar uma aquisição lucrativa.
Com o fechamento da fábrica de São Paulo, a Toyota quis recuperar a prensa para que não se perdesse e a enviou de volta ao Japão. Como relatam nossos colegas da Motorpasión, a empresa a enviou para Toyota City, em Aichi, local onde surgiu pela primeira vez em 1934. Lá, Akio Toyoda a remontou para que, naturalmente, pudesse continuar produzindo para a empresa.
Hoje, a máquina opera para produzir peças para módulos usados em veículos com células de combustível. Em outras palavras, uma máquina com quase um século de existência, comprada para fabricar teares, agora produz peças para a tecnologia de hidrogênio que a Toyota ainda considera a grande tecnologia do futuro.
A máquina é provavelmente o produto industrial mais amortizado já fabricado pela Toyota. Mas, acima de tudo, ela demonstra a adaptabilidade da empresa, é uma metáfora para sua reconhecida confiabilidade e, principalmente, uma história de amor entre o homem e os produtos industriais.
Imagens | Toyota
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