Botânico procurou por quase duas décadas uma das flores mais raras do mundo e a reação dele é fantástica: tudo sobre essa flor que é mais vista por tigres do que pessoas

Conhecida como flor cadáver, a Rafflesia hasseltii é uma flor raríssima que está em extinção na natureza

Rafflesia Hasseltii aberta. Créditos: Chris Thorogood
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Laura Vieira

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Laura Vieira

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Jornalista recém-formada, com experiência no Tribunal de Justiça, Alerj, jornal O Dia e como redatora em sites sobre pets e gastronomia. Gosta de ler, assistir filmes e séries e já passou boas horas construindo casas no The Sims.

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A natureza é uma fonte inesgotável de mistérios e maravilhas, tanto conhecidas, mas também desconhecidas. E recentemente, o ambientalista indonésio, Septian Andriki, desvendou mais um desses mistérios. Ele encontrou uma flor raríssima na floresta tropical de Sumatra, na Indonésia, após mais de uma década tentando encontrá-la na natureza. O encontro deixou o ambientalista visivelmente emocionado, enquanto observava maravilhado a aparência exótica e incrível dessa flor que já foi mais vista por tigres do que por pessoas.

A busca foi realizada ao lado de Chris Thorogood, professor associado de biologia na Universidade de Oxford, no Reino Unido, e do guarda florestal Iswandi, que os guiou em segurança nessa floresta considerada perigosíssima devido às condições ambientais difíceis e a presença de animais selvagens, como tigres e hipopótamos. 

Botânico encontra a flor mais rara do mundo em floresta da Indonésia 

Imagina passar 13 anos procurando uma “simples” flor na natureza? Septian Andriki, que dedicou grande parte da sua vida estudando e buscando por flores raras, demorou todo esse tempo até encontrar a Rafflesia hasseltii - que de simples essa flor não tem nada. É por isso que, no início deste ano, quando recebeu a informação de um guarda florestal informando sobre a presença dessa espécie bem no coração da floresta de Sumatra, ele não pensou duas vezes.

Septian Andriki, que prefere ser chamado de Deki, participou de uma expedição até o local, organizada pelo Chris Thorogood, com quem trabalha desde o início da pandemia. Mas não pense que foi fácil chegar pertinho da Rafflesia hasseltii. A floresta de Sumatra é densa, de difícil acesso e cheia de animais perigosos, e eles precisaram de uma licença especial para explorar a área.

Após 23 horas caminhando no interior da floresta, eles encontram a flor, mas o problema é que ela não estava florida. Frustrado por ter percorrido todo o caminho, eles decidiram esperar um pouco mais, mesmo diante os riscos que corriam no interior da floresta. A espera, no entanto, valeu a pena, porque logo depois de um tempo, a planta começou a florescer, e Deki não conseguiu resistir a emoção desse momento

A seguir, veja a reação do ambientalista após se deparar com o florescimento dessa flor considerada a mais rara do mundo:

Rafflesia hasseltii: saiba tudo sobre essa flor que não é vista há mais de uma década

Ambientalista Septian Andriki olhando a flor Rafflesia hasseltii. Septian Andriki passou 13 anos em busca da flor cadáver, considerada uma das flores mais raras do mundo. Créditos: Chris Thorogood

A Rafflesia hasseltii é uma flor raríssima na natureza. O nome científico Rafflesia refere-se ao gênero que contém as maiores flores do mundo, que podem chegar a medir mais de 1 metro de diâmetro. A Rafflesia hasseltii, especificamente, faz parte das 42 espécies descritas da Rafflesia, e todas elas, sem exceção, estão ameaçadas de extinção. Dentre elas, 25 encontram-se em estado crítico, e a Rafflesia hasseltii faz parte desse grupo.

Elas só são encontradas em países do sudeste asiático, como nas Filipinas, Sumatra e Malásia. Em 2021, Septian Andriki e Chris Thorogood já haviam participado de expedições em busca dessas flores nessas regiões. Eles encontraram diversas espécies da Rafflesia, mas nenhuma Rafflesia hasseltii.  Por isso a descoberta dessa flor gerou tanta comoção entre os pesquisadores. 

Conhecida popularmente como lírio-cadáver fétido ou flor cadáver, a Rafflesia hasseltii apresenta uma outra característica muito peculiar além do seu tamanho e de sua aparência exótica: elas exalam um cheiro fétido semelhante ao cheiro de carne podre. É por isso que elas são chamadas “carinhosamente” de flor cadáver. 

Esse cheiro, no entanto, não é por acaso: ele atrai um tipo específico de inseto polinizador, como moscas e besouros. Quando esses insetos pousam na flor cadáver em busca de alimento, o pólen adere aos seus corpos, e  ao visitar outras flores da mesma espécie, eles transferem o pólen, permitindo a polinização cruzada. Ou seja, esse cheiro desagrádavel que a flor exala é uma estratégia evolutiva importante para a reprodução da planta


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