Uma startup australiana de biotecnologia está cruzando uma nova fronteira da computação. A Cortical Labs desenvolveu o CL1, um computador que usa neurônios humanos vivos como núcleo de processamento e ele já provou ser capaz de rodar Doom, clássico jogo lançado em 1993 que se tornou um símbolo informal de teste de hardware ao longo das décadas.
A demonstração foi feita por meio da plataforma Cortical Cloud, com vídeo publicado no YouTube e código disponibilizado no GitHub. O CL1 é o primeiro sistema comercial da empresa, que ganhou notoriedade em 2022 ao ensinar um aglomerado de 800 mil neurônios a jogar Pong. Agora, a proposta evoluiu para um hardware projetado especificamente para integrar tecido biológico e eletrônica.
Como funciona o computador biológico?
Diferentemente de redes neurais simuladas por software, o CL1 utiliza neurônios reais. As células são cultivadas a partir de amostras de pele ou sangue de doadores adultos, reprogramadas em células-tronco pluripotentes induzidas e, posteriormente, diferenciadas em neurônios corticais.
O tecido vivo é mantido em uma câmara selada, conectada a um sistema interno que controla temperatura, composição de gases e filtragem de resíduos. Em condições ideais de laboratório, os neurônios podem permanecer viáveis por até seis meses.
O hardware é estruturado em torno de 59 eletrodos posicionados em uma matriz plana de metal e vidro. Essa grade densa de contato, combinada a um sistema aprimorado de processamento de sinais, reduz a latência para níveis inferiores a um milissegundo, permitindo respostas quase tão fluidas quanto as de um processador convencional.
Para gerenciar esse substrato biológico, a empresa criou um sistema operacional próprio, chamado biOS, que envia e recebe estímulos elétricos. Quando treinadas com jogos como Pong ou Doom, as redes formam padrões de resposta auto-organizados com base em sinais de recompensa e correção.
Cada unidade custa cerca de US$ 35 mil (aproximadamente R$ 181 mil), com descontos em configurações de rack para instituições de pesquisa. A empresa iniciou as primeiras entregas comerciais em 2025 e mantém conectividade em nuvem para monitoramento e implantação remota de código.
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