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Aurelio Arteta, filósofo: "é a pessoa que merece respeito, e muitas vezes apesar de suas opiniões"

"Os estereótipos nos retratam porque são sintomas de crenças comuns", reflete o pensador

Aurelio Arteta, filósofo: "É a pessoa que merece respeito, e muitas vezes apesar de suas opiniões."
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Fabrício Mainenti

Redator

As pessoas gostam de se sentir confortáveis. Essa é uma verdade universal. E se existe algo confortável e aconchegante neste mundo — pelo menos para os nossos cérebros — é apegar-se a um bom clichê. Ele não apenas nos poupa o trabalho de pensar demais, mas também cria uma espécie de almofada intelectual macia onde podemos nos acomodar.

"Os clichês revelam quem somos porque são sintomas de crenças comuns", argumenta o filósofo Aurelio Arteta (Sangüesa, 1945), professor da Universidade do País Basco (UPV). Anos atrás, em um de seus ensaios, ele analisou uma das verdades feitas mais arraigadas e aparentemente inquestionáveis ​​de nossa sociedade: será que todas as opiniões realmente merecem o mesmo respeito?

Isso nos leva a outras perguntas igualmente importantes: o que significa "respeitar uma opinião"? Somos intolerantes se questionamos uma delas? E o que merece respeito: a ideia em si ou a pessoa por trás dela?

"Confrontá-las, não apenas justapô-las"

"Vamos pegar o [clichê] de que todas as opiniões merecem respeito. Se isso fosse verdade, não precisaríamos defender nossas próprias opiniões nem ousar questionar as dos outros. Todas teriam o mesmo valor — o que, no fim das contas, significa que nenhuma delas vale nada".

"O grau de verdade em cada uma não importaria, pois a única coisa que conta é o direito de expressar opiniões sem qualquer contestação", argumentou ele em uma entrevista de 2012 ao jornal El Español, após a publicação de seu livro Tantos tontos tópicos (Tantos Clichês Tolos).

Para o filósofo navarro, a chave está em manter uma postura aberta e tolerante, mas partindo de uma premissa crucial: o respeito não exclui o debate, nem é incompatível com uma abordagem crítica. Muito pelo contrário.

"Respeitar opiniões significa colocá-las em confronto umas com as outras, e não simplesmente justapô-las e protegê-las de qualquer embate. No final, é a pessoa que merece respeito — e, muitas vezes, esse respeito é devido apesar de suas opiniões", explica Arteta.
"É claro que muitos retrucarão indignados: 'Você certamente não espera me convencer'! Como se persuadir alguém pela razão fosse o mesmo que lhe impor pontos de vista. A esse ponto chega a estupidez reinante".

Adotar tal postura não é fácil. Exige esforço: pensar, raciocinar e correr o risco de iniciar um embate de ideias — um embate que, no fim das contas, pode nos obrigar a repensar nossas próprias convicções. Não é uma questão trivial, visto que os clichês frequentemente servem como uma espécie de cola social.

"Ao repetir frases feitas, buscamos nos enturmar, nos integrar, pertencer ao grupo e aderir à moda vigente. Em suma, queremos evitar ficar sozinhos e expostos às intempéries", acrescenta o professor de filosofia.

Aurelio Arteta não é o único a se manifestar para nos lembrar do verdadeiro significado do respeito intelectual, ou para questionar clichês antigos e frases batidas como "respeito suas ideias, mas não as compartilho".

O filósofo e ensaísta José Antonio Marina adotou uma abordagem semelhante algum tempo atrás, enfatizando em uma entrevista que os direitos à liberdade de expressão e de pensamento protegem as "pessoas", e não o "conteúdo da opinião".

"Uma opinião pode ser estúpida ou agressiva... Não; toda opinião deve ter sua própria fonte de legitimidade. Se for uma opinião matemática, a matemática; se for geográfica, critérios geográficos. A quem me diz que a Terra é plana, eu respondo: 'não vou prendê-lo por isso, pois você é livre para expressar sua opinião, mas não vou lhe conceder uma cátedra universitária de Geografia'".

Nossa tendência de transformar ideias em construções intocáveis ​​está, na verdade, enraizada em nossa natureza — especificamente naquilo que o psicólogo Arie Kruglanski denominou "necessidade de fechamento cognitivo".

Os seres humanos não gostam de incerteza; isso nos leva a consolidar crenças rapidamente — ou, quando desafiados, a exigir que sejam respeitadas — para que possamos mantê-las acima de qualquer questionamento e evitar ter de reexaminar nossa visão de mundo.

Imagens | Carlos Torres (Unsplash)

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