Agora sabemos quanta água havia em Marte: um oceano cobria metade do planeta

A água fluía entre cânions até desaguar em uma praia

Marte com água / imagem: Javier Miranda
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Victor Bianchin

Redator
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Victor Bianchin

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Victor Bianchin é jornalista.

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O mistério de Marte e da água tem um novo capítulo. Missões como a Curiosity, na cratera Gale, apresentam evidências claras da existência de lagos de água líquida ao longo de milhares ou milhões de anos. O fato de os modelos climáticos mostrarem que Marte antigamente era um lugar gelado, com temperaturas notavelmente abaixo do ponto de congelamento, foi explicado pela presença de mantos de gelo sazonais. No entanto, uma das questões ainda em aberto na astronomia de Marte é saber quanta água existiu por lá e em que período.

Um estudo recente publicado na revista científica npj Space Exploration destaca a descoberta de uma “linha de maré” que indica que, em algum momento, houve um sistema hídrico interconectado. Ignatius Argadestya, autor principal do estudo, explica que, embora hoje Marte seja um planeta seco e avermelhado, “nossos resultados mostram que no passado ele foi um planeta azul, parecido com a Terra”.

Os pesquisadores conseguiram demonstrar a existência do oceano mais profundo e extenso que já existiu em Marte até hoje. O cientista relata que metade do planeta vermelho foi, em outros tempos, azul: “um oceano que se estendia pelo hemisfério norte do planeta”.

Valles Marineris Valles Marineris

Os “deltas” de Marte

Mais especificamente, eles investigaram formações geológicas chamadas depósitos com frente escarpada, localizadas na região de Valles Marineris, o maior sistema de cânions do Sistema Solar. Utilizando imagens de altíssima resolução provenientes do CaSSIS, da Agência Espacial Europeia, e dos instrumentos CTX e HiRISE, da NASA (este último com resolução máxima de cerca de 25 a 30 centímetros por pixel), foi possível identificar esses depósitos com morfologia idêntica à dos deltas fluviais que vemos em rios como o Ebro ou o Danúbio quando deságuam no mar.

Assim, houve um tempo em que, em Marte, a água fluía das montanhas através de canais ramificados até chegar a uma espécie de lago ou mar, onde os sedimentos eram depositados. Esses deltas terminam em um degrau abrupto que se encontra exatamente na mesma altitude em diferentes pontos do planeta, entre -3.750 e -3.650 metros em relação ao nível de referência de Marte.

Isso não é uma coincidência geológica: há cerca de 3,37 bilhões de anos, existiu um corpo de água semelhante a um mar que manteve um nível estável por muito tempo. Portanto, essa marca era a linha costeira de Marte no passado, já que esses depósitos se formaram entre o período Hesperiano Tardio e o Amazônico Inicial. De acordo com a equipe de pesquisa, esse foi o momento da história de Marte com maior disponibilidade de água líquida em sua superfície.

Já se havia postulado anteriormente a existência e o tamanho desse oceano marciano, mas, agora, as conclusões chegam com evidências mais precisas e diretas. Além disso, os cientistas conseguiram determinar quando ocorreu o pico de água em Marte. Os deltas encontrados constituem uma base excelente para estudar a fundo seus sedimentos em busca de vestígios de vida — porque onde há água, pode ter havido vida.

Entre os próximos passos, está entender como Marte passou de ter um oceano que ocupava metade do planeta para se tornar um deserto gelado. Já existem pistas: a equipe de pesquisa detectou fissuras de dessecação e dunas sobre esses canais, o que indica que, após esse período aquático, houve um processo de secagem progressiva até o planeta se tornar árido.

Imagem | Javier Miranda

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.


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