A ciência por trás do cheiro de barata: por que algumas pessoas têm um radar natural contra o inseto e outras não sentem nada?

Pessoas que sentem cheiro de barata têm uma mutação rara no DNA

barata comendo pão. Créditos: banco de imagem
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Laura Vieira

Redatora
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Laura Vieira

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Jornalista recém-formada, com experiência no Tribunal de Justiça, Alerj, jornal O Dia e como redatora em sites sobre pets e gastronomia. Gosta de ler, assistir filmes e séries e já passou boas horas construindo casas no The Sims.

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Provavelmente você já viveu essa situação: alguém diz que está sentindo cheiro de barata, enquanto você não percebe nada, ou então reconhece logo de cara o odor desagradável. Apesar de parecer estranho, essa diferença tem uma explicação científica por trás. Contudo, nem todo mundo consegue identificar esse cheiro, porque essa habilidade está ligada a uma mutação no DNA do indivíduo. A seguir, entenda o que provoca essa desconfortável habilidade de sentir cheiro de barata que, com toda certeza, ninguém gostaria de possuir.

Cheiro de barata? Veja o que a ciência diz sobre isso

A barata é um animal asqueroso, que muita gente sente nojo só de olhar. Então imagine que o cheiro desse animal consegue ser ainda mais desagradavel do que a sua própria existência. Mas o que a ciência diz sobre o cheiro de barata? Pesquisadores descobriram que a capacidade de sentir o cheiro da barata está diretamente ligada ao gene TAAR5, localizado no cromossomo 6 dos seres humanos.

Esse gene produz uma proteína que funciona como um receptor olfativo especializado, responsável por identificar a trimetilamina (TMA), uma substância química liberada pelas baratas para se comunicar. É justamente essa molécula que provoca o odor desagradável que esses animais exalam. É por isso que quem possui essa mutação genética é capaz de sentir o odor, enquanto outras pessoas simplesmente não percebem nada.

Como é o cheiro de barata?

Apesar de terem um papel vital na decomposição de matéria orgânica, as baratas não apresentam características muito agradáveis, inclusive o seu cheiro. Quem consegue captar o cheiro desses insetos o descreve como um odor forte, desagradável e semelhante ao cheiro de peixe em decomposição. A trimetilamina também pode ser encontrada em espécies de peixes, e é exatamente por isso que muita gente associa o cheiro da barata ao odor de peixe podre. Essa substância, a trimetilamina, funciona como um tipo de mensagem química entre os insetos, mas acaba sendo extremamente incômoda para o olfato dos humanos que conseguem detectá-la.

No entanto, não pense que a barata é o único inseto que exala um cheirinho desagradável. Além delas, algumas pessoas também conseguem sentir o cheiro de outros insetos, como formigas mortas. Essa característica só reforça o quanto o olfato dos humanos pode ser mais sensível em determinados indivíduos do que em outros.

Entenda porque nem todo mundo sente cheiro de barata

Sentir o cheiro de barata é uma característica que depende da presença de receptores olfativos específicos. Pessoas com a mutação no gene TAAR5 conseguem identificar a trimetilamina, enquanto outras não sentem nada. E isso não se aplica apenas às baratas: o ser humano possui mais de 400 receptores olfativos, então pequenas diferenças genéticas fazem com que cada indivíduo perceba cheiros de uma forma diferente. Além disso, outros fatores podem influenciar nessa sensibilidade olfativa, como idade, experiências anteriores e até o estado emocional.

Sentir cheiro de barata é uma habilidade desconfortável

Cientificamente, sentir cheiro de barata pode parecer algo fascinante e especial, já que é uma habilidade rara nos seres humanos. No entanto, apesar de “especial”, essa é a característica pouquíssimo desejada. Afinal, sentir o cheiro de barata não é nada agradável, já que é um odor enjoativo e repulsivo que incomoda bastante.

No entanto, apesar de desconfortável, essa descoberta tem um papel importante para a ciência. Isso porque o estudo dos receptores olfativos pode ajudar os cientistas a compreender melhor o funcionamento do sistema sensorial humano e trazer avanços na medicina, com testes diagnósticos baseados no olfato, e na indústria alimentícia, criando produtos que atendam o perfil olfativo dos consumidores.

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