A Toyota sempre jogou um jogo diferente do resto da indústria. Enquanto muitas marcas se concentraram em uma única solução técnica, a fabricante japonesa defende há anos uma abordagem multitecnológica, que abrange desde híbridos e veículos elétricos até hidrogênio e carros esportivos. Nesse contexto, a ideia de que dirigir deve continuar sendo emocionante para seus clientes não é apenas um slogan: é uma convicção.
No dia 4 de dezembro passado, na Woven City da Toyota, aos pés do Monte Fuji, essa filosofia se materializou na forma de um carro: o Toyota Gazoo Racing GR GT. Durante sua apresentação, Takashi Doi, gerente geral do projeto, comentou que, com este modelo, a equipe quer "transmitir a alegria de dirigir e a paixão por carros". E considerando o que o GR GT oferece, essa declaração soa muito como um plano de ação.
Tecnologia de corrida para um carro de rua
O GR GT nasceu como um projeto intransigente. Sua base é um chassi de alumínio completamente novo e uma arquitetura clássica reinterpretada com uma mentalidade de corrida. Seu coração é um motor V8 biturbo de 4,0 litros desenvolvido internamente, montado na parte inferior e traseira para otimizar o centro de gravidade. "Trata-se de respeitar e retornar aos fundamentos: aproveitamento do espaço, rigidez e aerodinâmica", explicou Doi durante o evento.
A transmissão é outro dos elementos mais reveladores da abordagem da Toyota. O GR GT utiliza um sistema de transmissão automática de oito velocidades, marca registrada da empresa, localizado no eixo traseiro e conectado ao motor por meio de um tubo de torção de fibra de carbono. Internamente, uma marcha intermediária inverte o fluxo de potência antes de enviá-la às rodas traseiras por meio de um diferencial mecânico de deslizamento limitado.
Carros “projetados para vencer”, não para preencher uma lacuna
Doi foi ainda mais longe, definindo o GR GT como parte de uma família de “carros projetados para vencer”. O GR GT de rua e sua versão de corrida GT3 foram desenvolvidos em paralelo, seguindo uma filosofia muito semelhante à dos grandes carros esportivos europeus das décadas de 1950 e 60 que competiram em Le Mans e foram posteriormente homologados para uso em vias públicas.
O resultado é um carro esportivo grande, largo e ambicioso. Com quase 4,82 metros de comprimento e 2 metros de largura, o GR GT compete no mesmo nível dos grandes GTs europeus, mas com uma interpretação muito japonesa do conceito: engenharia visível, obsessão por detalhes e uma clara intenção de ensinar à próxima geração de engenheiros como as coisas são feitas quando o objetivo não é apenas vender, mas aprender e competir.
O GR GT não virá sozinho: faz parte de algo maior
O GR GT se encaixa em uma estratégia que a Toyota vem construindo há anos. O retorno do Supra, o lançamento do GR Corolla, a reinterpretação do Land Cruiser e a confirmação oficial do retorno do Celica apontam na mesma direção. Até mesmo o nome MR2 parece estar prestes a voltar.
Todas essas peças se alinham diretamente com a declaração de Akio Toyoda em 2017, quando ele reconheceu que a Toyota "havia se tornado entediante" e pediu à sua equipe que mudasse isso. Oito anos depois, essa mensagem não precisa mais ser repetida: ela é evidente em carros como o GR GT, em sua abordagem técnica e na liberdade criativa que a Gazoo Racing parece ter conquistado dentro do grupo.
Em um momento em que a indústria fala quase exclusivamente sobre eletrificação, software e eficiência, a Toyota decidiu enfatizar algo fundamental: carros também são sobre emoção. Embora nem todos esses modelos façam sentido comercial em termos estritamente práticos, como uma declaração de intenções, o GR GT deixa claro que a Toyota não tem mais medo de ser diferente.
Imagens | Toyota
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