Uma única imagem bastou para fazer o iPhone realizar uma ação que ninguém havia solicitado; Apple corrigiu esse problema nesta semana com o iOS 26.6

  • O iOS 26.6 chega sem novos recursos, mas corrige 78 vulnerabilidades e 14 falhas no kernel do sistema;

  • Analisamos os ataques que essas falhas possibilitaram; nenhum foi explorado, de acordo com os dados da Apple

Uma única imagem bastou para fazer o iPhone realizar uma ação que ninguém havia solicitado; Apple corrigiu esse problema nesta semana com o iOS 26.6
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Fabrício Mainenti

Redator

Há uma diferença entre receber uma atualização com novos recursos para experimentar no celular e uma em que as mudanças ocorrem "nos bastidores". Estas últimas são as menos empolgantes — aquelas que você adia até o último momento e só instala porque está cansado de ver a notificação. Paradoxalmente, muitas vezes são as atualizações mais importantes, pois corrigem problemas reais do aparelho. Esse é o caso da atualização recente lançada pela Apple.

Um patch para corrigir ameaças graves

A recente versão iOS 26.6 (juntamente com versões para outros dispositivos) está sendo disponibilizada para iPhones compatíveis. No aviso da atualização, a Apple destaca que o software prepara o sistema para o iOS 27, embora o aspecto principal sejam os problemas que ele resolve. Isso inclui 14 itens que abordam uma das áreas mais críticas do sistema: o kernel.

De acordo com o registro de alterações divulgado pela Apple, a atualização de segurança mais recente corrige vulnerabilidades graves que poderiam permitir a execução de código malicioso nos dispositivos. No total, há 78 entradas individuais de vulnerabilidade vinculadas a 87 registros CVE distintos. O número de registros CVE é maior que o de entradas porque algumas entradas agrupam múltiplas vulnerabilidades.

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Uma das atualizações mais importantes

Embora a versão 26.6 — lançada para todas as famílias de dispositivos Apple — possa parecer uma atualização menor, a realidade é bem diferente: não instalá-la coloca em risco o uso seguro do seu dispositivo. Embora a Apple não tenha evidências de que qualquer uma dessas vulnerabilidades tenha sido explorada ativamente, caso fossem, poderiam permitir:

  • Uma imagem que executa código por conta própria. Os dispositivos estavam suscetíveis ao processamento de imagens manipuladas capazes de executar código arbitrário sem qualquer interação do usuário. Isso é semelhante à exploração que a NSO utilizou em 2023 com o BLASTPASS. CVE-2026-43818;
  • De aplicativo comum a controle total. Uma falha concedia privilégios de root a um aplicativo, enquanto outra permitia a execução de código com privilégios de kernel. Um aplicativo malicioso poderia, potencialmente, assumir o controle do dispositivo. CVE-2026-43723, CVE-2026-64747;
  • Burlar o isolamento de aplicativos. O Game Center e a libc permitiam que um aplicativo escapasse de seu ambiente de execução isolado. Outra falha burlava as verificações de assinatura de código — o mecanismo que impede a execução de binários não autorizados no iOS. CVE-2026-64740, CVE-2026-28973, CVE-2026-43813;
  • Contatos falsos para golpes telefônicos. Um aplicativo poderia adicionar contatos sem autorização. Por exemplo, poderia adicionar um número de banco falso à agenda, levando o usuário a confiar em quem ligasse. CVE-2026-64746, CVE-2026-64734;
  • Burlar firewalls, VPNs e controles parentais. Um invasor remoto poderia contornar os filtros de rede do sistema. CVE-2026-64735;
  • Acesso a um iPhone bloqueado. Essas vulnerabilidades poderiam permitir o acesso a informações confidenciais do usuário, mesmo a curta distância — por exemplo, corrompendo a memória via Wi-Fi. CVE-2026-43753, CVE-2026-64726;
  • Rastreamento de anúncios sem o conhecimento do usuário. Vários componentes permitiam a identificação persistente do proprietário do dispositivo, possibilitando o rastreamento sem que ele percebesse. CVE-2026-64741, CVE-2026-64733, CVE-2026-64713;
  • Phishing via interface de navegador falsificada. Invasores poderiam explorar vulnerabilidades descobertas no WebKit para imitar a interface do Safari. Isso permitiria simular o site de um banco, enganando os usuários para que inserissem suas credenciais em um formulário falso. CVE-2026-64730.

Apesar dos riscos graves representados por essas vulnerabilidades — todas corrigidas na atualização recente — é importante notar que a Apple não encontrou evidências de que tenham sido exploradas para acessar dispositivos. Ainda assim, a recomendação é clara: atualizar não custa nada e pode evitar problemas significativos.

Entediante, mas essencial

A atualização chega sem a nova Siri e sem mudanças na interface; além das correções de segurança, a principal melhoria no iOS 26.6 e suas variantes é preparar a indexação do Spotlight para o iOS 27. Mesmo assim, essa atualização "entediante" é a única que garante o funcionamento adequado dos dispositivos — o que é, precisamente, o aspecto mais importante a proteger.

Imagem de capa | composição com foto de Alejandro Alcolea e captura de tela de Álvaro García

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