O segredo da resiliência: psicologia revela a vantagem emocional sem igual de quem nasceu entre 1945 e 1965

A idade não elimina os problemas, mas pode mudar a maneira como escolhemos quais deles merecem nossa energia emocional

Jovem E Idoso Se Abracando
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Laura Vieira

Redatora
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Laura Vieira

Redatora

Jornalista recém-formada, com experiência no Tribunal de Justiça, Alerj, jornal O Dia e como redatora em sites sobre pets e gastronomia. Gosta de ler, assistir filmes e séries e já passou boas horas construindo casas no The Sims.

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Você já percebeu como algumas pessoas parecem ter aprendido a escolher melhor as batalhas que merecem sua energia? Em um momento em que a saúde mental se tornou uma preocupação mundial, mais de 1 bilhão de pessoas vivem com algum transtorno mental, segundo a Organização Mundial da Saúde, entender como lidamos com emoções também passa por observar o que muda ao longo da vida. 

Um estudo publicado na revista Current Directions in Psychological Science mostra que o envelhecimento pode estar associado a uma mudança importante nas prioridades emocionais: conforme as pessoas percebem que o tempo futuro é mais limitado, elas tendem a dar mais valor ao que tem significado emocional no presente. A ideia ajuda a explicar por que, em determinadas situações, experiência e idade podem mudar não apenas o que uma pessoa sente, mas também aquilo que ela decide que merece sua atenção.

Com o tempo, as prioridades emocionais podem mudar

Nem sempre aquilo que parece urgente hoje continua tendo o mesmo peso daqui a alguns anos. Conforme a vida avança, experiências, perdas e mudanças na forma de enxergar o futuro podem alterar a maneira como escolhemos gastar nosso tempo e nossa energia. Hoje, as suas prioridades podem não ser as mesmas daqui a 20 anos. A diferença não está necessariamente em sentir menos emoções negativas ou passar por menos problemas. O que a teoria da seletividade socioemocional, desenvolvida pela psicóloga Laura Carstensen, propõe é outra coisa: a percepção sobre quanto tempo ainda temos pela frente influencia os objetivos que escolhemos perseguir.

Quando o futuro parece praticamente ilimitado, é natural que exista mais espaço para explorar, experimentar, conhecer pessoas e acumular experiências. Com o passar dos anos, porém, essa perspectiva tende a mudar. O tempo passa a ser percebido como um recurso mais limitado, e com isso, objetivos emocionalmente significativos ganham prioridade. Isso pode alterar a forma como uma pessoa escolhe gastar sua energia. Relações mais importantes podem ganhar espaço enquanto vínculos considerados pouco significativos perdem prioridade. Da mesma forma, determinadas experiências positivas podem se tornar mais relevantes do que outras preocupações cotidianas.

O estudo também destaca que mensagens positivas tendem a ser lembradas melhor por adultos mais velhos do que mensagens negativas, além de apontar uma preferência maior por produtos e experiências capazes de proporcionar satisfação no presente em vez de benefícios projetados para um futuro distante.

Mas preste atenção: isso não significa que envelhecer transforme alguém automaticamente em uma pessoa tranquila, resiliente ou emocionalmente equilibrada. A pesquisa destaca para a enorme diversidade existente entre pessoas com mais de 65 anos. Idade cronológica, sozinha, não explica a maneira como alguém lida com as próprias emoções.

A experiência dos mais velhos pode ensinar algo às gerações mais novas

jovem e senhora rindo A percepção de que o tempo é limitado pode influenciar a forma como adultos mais velhos lidam com emoções, relacionamentos e prioridades

Se a percepção de tempo influencia nossas prioridades, existe uma consequência interessante para quem ainda está longe da velhice. Algumas dessas mudanças não dependem exclusivamente da idade. A teoria sugere que situações capazes de tornar o futuro mais concreto ou limitado também podem alterar aquilo que uma pessoa considera importante.

Isso ajuda a colocar a “maturidade emocional” em uma perspectiva diferente. Ao invés de enxergá-la como uma característica que aparece com determinada idade, é possível entendê-la como resultado de experiências, prioridades e da maneira como cada pessoa interpreta o próprio horizonte de vida. Essa perspectiva também abre espaço para uma reflexão sobre as gerações mais jovens, que vivem um dia  dia marcado por excesso de informação, estímulos constantes e preocupação com problemas que ainda nem aconteceram. Aprender a identificar o que realmente merece atenção pode ser uma habilidade tão importante quanto tentar controlar todas as variáveis do futuro.

Isso não significa que pessoas mais velhas tenham uma fórmula pronta para ensinar aos mais jovens, nem que uma geração seja emocionalmente superior à outra. O que a pesquisa permite discutir é se determinadas estratégias de priorização podem ser aprendidas antes mesmo que a idade torne essa mudança mais espontânea. Por isso, talvez a principal lição não seja sobre uma geração específica, mas sobre uma capacidade que pode mudar ao longo da vida: aprender que nem todo problema precisa receber a mesma quantidade de energia emocional.

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