Mark Zuckerberg contratou um especialista em IA por um salário de 1,5 bilhão de dólares em seis anos: ele durou 11 meses

  • Zuckerberg ofereceu 250 milhões por ano a um engenheiro que permaneceu apenas 11 meses na Meta; o caso de Tulloch soma-se a outras contratações milionárias que não deram certo;

  • Apple, Yahoo e Disney também pagaram fortunas por executivos de destaque que acabaram saindo antes do esperado

Mark Zuckerberg contratou um especialista em IA por um salário de 1,5 bilhão de dólares em seis anos: ele durou 11 meses.
Sem comentários Facebook Twitter Flipboard E-mail
fabricio-mainenti

Fabrício Mainenti

Redator

O dinheiro nem sempre compra a lealdade, nem mesmo quando se materializa em um contrato de trabalho com um salário de bilhões de dólares. Grandes empresas pagam fortunas há décadas para tirar um funcionário de destaque de um rival. A lista de fracassos nessa prática é quase tão longa quanto a quantia de milhões de dólares que evaporou nessas contratações.

O nome mais recente dessa lista é um completo desconhecido para a maioria: Andrew Tulloch. Mark Zuckerberg lhe ofereceu um salário de 1,5 bilhão de dólares (cerca de R$ 7,6 bilhões) para tê-lo na Meta durante seis anos. Segundo o The Wall Street Journal, essa contratação de peso durou apenas 11 meses.

O ex-funcionário da Meta que deu um "não" a Zuckerberg

Andrew Tulloch é um engenheiro australiano que passou 11 anos na equipe do Facebook, onde alcançou um dos cargos técnicos mais elevados da empresa. Em 2016, o presidente da OpenAI, Greg Brockman, tentou contratá-lo quando a empresa ainda era pequena.

Naquela época, Tulloch já ganhava 800 mil dólares por ano (cerca de R$ 4 milhões) no Facebook, enquanto a oferta da OpenAI chegava a apenas cerca de 300 mil dólares (aproximadamente R$ 1,5 milhões) anuais. A diferença financeira era grande demais, e Tulloch permaneceu na Meta.

Em 2023, com o ChatGPT em pleno funcionamento, a situação da OpenAI era totalmente diferente; por isso, Tulloch aceitou deixar a Meta para integrar a equipe da OpenAI. Em 2025, ele cofundou a Thinking Machines Lab com Mira Murati, ex-diretora de tecnologia da OpenAI.

Uma oferta de um bilhão que a Meta negou

Três anos após a saída de Tulloch da Meta, Zuckerberg entrou em modo "fundador" para vencer a corrida da IA. Primeiro, quis comprar a Thinking Machines Lab por 1 bilhão de dólares (cerca de R$ 5,1 bilhões). Quando Murati se recusou a vender, o fundador da Meta foi atrás da equipe dela. Ele contatou dezenas de funcionários da startup. Tulloch era o alvo principal.

Segundo o Wall Street Journal, o pacote chegava a 1,5 bilhão de dólares em seis anos. A Meta negou tudo. Seu porta-voz, Andy Stone, classificou a descrição da oferta como "imprecisa e ridícula".

De volta à Meta, e novamente de saída

Inicialmente, Tulloch recusou a oferta de sua antiga empresa, mas dois meses depois mudou de ideia e juntou-se ao projeto de superinteligência liderado por Zuckerberg e Alexandr Wang. Onze meses depois, Tulloch avisou aos colegas que estava saindo; sua partida ocorre um dia após a Meta lançar um novo agente de IA.

Segundo cálculos do Celebrity Net Worth, se o salário do especialista em IA na Meta tivesse atingido o máximo possível, Tulloch teria recebido cerca de 250 milhões por ano (aproximadamente R$ 1,2 bilhão) — o que, detalhando, equivale a 961.500 dólares (R$ 4,9 milhões) por dia trabalhado ou cerca de 120 mil dólares (R$ 613.716) por hora de trabalho. No entanto, Tulloch abriu mão desse salário impressionante sem dar mais detalhes.

Essa não é a única contratação milionária que deu errado

A corrida por talentos em IA criou uma nova classe alta no Vale do Silício. Mas contratar a peso de ouro nem sempre traz bons resultados. Em 2011, a Apple perdeu Ron Johnson, o responsável por implementar o negócio das Apple Stores

A rede de lojas de departamentos JCPenney lhe ofereceu um pacote de ações que, segundo a Forbes, ultrapassava 53 milhões de dólares (cerca de R$ 271 milhões); porém, para aceitá-lo, ele teve de abrir mão de um pacote de mais de 80 milhões em ações da Apple. Johnson permaneceu pouco mais de um ano como CEO. Hoje, aquelas ações da Apple valeriam mais de 2 bilhões de dólares (cerca de R$ 10,2 bilhões).

Um caso semelhante ocorreu com o Yahoo quando a empresa contratou Marissa Mayer, vinda do Google, para tentar salvar o negócio. Conforme confirmado pela CNBC, cinco anos depois, a Verizon comprou a operação principal do Yahoo por 4,48 bilhões de dólares (cerca de R$  22,9 bilhões). No entanto, Mayer saiu com um salário de 900 mil dólares (cerca de R$ 4,6 milhões) por semana, totalizando 405 milhões de dólares (cerca de R$ 2 bilhões) ao longo de seus cinco anos de gestão.

Em 1995, a Disney viveu algo parecido com Michael Ovitz. Deram-lhe a presidência da empresa e, apenas 14 meses depois, o demitiram. Segundo a CNN, sua indenização chegou a 140 milhões de dólares (cerca de R$ 716 milhões), além de várias ações judiciais movidas por investidores. Todos eles, assim como Tulloch, receberam fortunas para mudar de empresa. O dinheiro, mais uma vez, não bastou para retê-los por muito tempo.

Imagem de capa | Magnific (Meta, Annie SprattAlexander MilsHunters Race)

Inicio