Stella Li, vice-presidente da BYD, torna oficial: em 2027 a marca lançará seu primeiro carro elétrico com bateria de estado sólido

A vice-presidente da BYD, Stella Li, confirmou a chegada do primeiro carro elétrico da marca com bateria de estado sólido em 2027, em uma estreia focada no segmento de luxo e na validação técnica fora dos laboratórios

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Bárbara Castro

Redatora

A bateria de estado sólido promete há anos dar o salto definitivo de que os carros elétricos precisam, mas ainda não estreou em modelos de grande volume de produção. Agora, a BYD acaba de definir uma data para sua primeira cartada: Stella Li, vice-presidente executiva da montadora, confirmou que um veículo equipado com essa tecnologia chegará às ruas em 2027. Não será uma estreia massiva, mas sim uma prova real de fogo para demonstrar até onde a marca consegue ir.

A cautela faz todo o sentido, considerando o estágio atual de maturação técnica. A BYD ainda não revelou qual veículo receberá a nova bateria, qual será sua capacidade nem os números oficiais de autonomia, potência ou tempo de recarga. Tampouco há um cronograma oficial divulgado para fabricação em larga escala. Esse primeiro modelo servirá como validação prática da tecnologia no mundo real antes que o componente comece a ser adotado por outros modelos da fabricante chinesa.

A BYD persegue essa evolução química há quase uma década. Em 2016, o grupo chinês começou a pesquisar eletrólitos de estado sólido à base de sulfeto e óxido. Dois anos mais tarde, decidiu concentrar seus esforços na linha de sulfetos — a mesma fórmula que a FinDreams Battery, sua divisão especializada em componentes elétricos, utiliza atualmente nos protótipos que passam por testes de validação veicular.

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A meta perseguida pelos engenheiros explica os holofotes sobre o projeto: a BYD planeja atingir uma densidade energética de 400 Wh/kg por célula. Esse valor supera em mais que o dobro a capacidade das células usadas na segunda geração das atuais baterias Blade. Se o componente chegar às linhas de montagem com custos viáveis e boa durabilidade, a relação entre peso total do conjunto e alcance por carga mudará radicalmente.

Um protótipo já antecipou o tamanho do potencial dessa química. Segundo medições do Centro de Tecnologia e Pesquisa Automotiva da China (CATARC), um veículo de testes equipado com a bateria atingiu 1.218 quilômetros de autonomia combinada no ciclo CLTC. O feito estabeleceu um novo recorde chinês para modelos com eletrólito sólido. Embora o ciclo chinês seja bastante otimista em relação ao uso real diário, a marca dá a dimensão exata de onde a montadora pretende chegar.

O desafio da produção em escala industrial

O grande gargalo, contudo, não se limita a obter uma célula com alta densidade energética em bancada: o verdadeiro teste consiste em fabricar milhões delas com controle de qualidade impecável e repetibilidade. Para isso, a companhia já opera desde fevereiro de 2026 uma linha-piloto de 2 GWh em Pingshan, no polo de Shenzhen, onde calibra os processos de montagem e testa componentes em automóveis de teste. A taxa de rendimento dessa operação inicial já passa dos 90%, um indicador bastante positivo para uma tecnologia que ainda precisa aprender a ser produzida em larga escala.

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O próximo passo será ainda mais ambicioso. A gigante asiática programa para o terceiro trimestre de 2026 o início das obras de uma fábrica com capacidade de 20 GWh em Bishan, Chongqing. As primeiras etapas voltadas à produção de lotes de demonstração estão previstas justamente para 2027, coincidindo com a estreia do primeiro automóvel a receber a novidade. A estratégia mostra que o lançamento comercial e o avanço fabril caminham juntos, embora ainda não representem uma produção massificada.

Primeiras unidades devem estrear no topo da gama

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Tudo indica que as primeiras unidades equipadas com as novas células serão destinadas aos modelos mais sofisticados e caros do grupo, com a Yangwang — divisão de altíssimo luxo da marca — figurando como a principal candidata natural. As tiragens iniciais devem ficar restritas a poucos milhares de exemplares.

Para a BYD, portanto, 2027 será menos uma data de expansão descontrolada e muito mais uma prova de fogo definitiva: entregar a bateria de estado sólido nas mãos dos clientes, ver o comportamento fora dos ambientes controlados de laboratório e entender quanto tempo ainda resta para que esses 400 Wh/kg se tornem padrão em carros elétricos populares.

Matéria traduzida de Xataka*

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