Por que alguém pagaria US$ 40 milhões pelo carro mais odiado? Mais do que dinheiro, é um truque para conseguir passe VIP vitalício para a Ferrari

Herbert “Herbie” Wertheim, inventor e bilionário americano, é o comprador do Ferrari Luce Chassis 0

É a mesma pessoa que quebrou outro recorde da Ferrari em Monterey no ano passado

Imagens | @xtinagrati, @supercarsforsale
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PH Mota

Redator
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Jornalista há 15 anos, teve uma infância analógica cada vez mais conquistada pelos charmes das novas tecnologias. Do videocassete ao streaming, do Windows 3.1 aos celulares cada vez menores.

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A identidade do homem que acaba de pagar US$ 40 milhões (ou cerca de R$ 206 milhões) pelo primeiro Ferrari elétrico de produção não é mais um mistério. Trata-se de Herbert “Herbie” Wertheim, um bilionário americano que, curiosamente, já havia feito algo semelhante no mesmo leilão de Monterey um ano antes: pagou US$ 26 milhões (R$ 135 mil) por um Ferrari Daytona SP3 Tailor Made.

Agora, ele acaba de adquirir o Ferrari Luce Chassis 0 por outros US$ 40 milhões, o que significa que, no tempo que a maioria das pessoas leva para juntar dinheiro para férias, esse colecionador gastou US$ 66 milhões em dois Ferraris únicos sem pestanejar. O curioso é que nenhum dos dois foi um leilão "normal" no mundo do ultraluxo: em ambos os casos, o dinheiro arrecadado destina-se a fins beneficentes.

Não se trata apenas de uma Ferrari: há uma doação por trás disso

O Ferrari Luce Chassi 0, oferecido sem reserva pela RM Sotheby's, tinha uma estimativa de venda de pouco mais de US$ 1,1 milhão, mas acabou sendo arrematado por US$ 40 milhões: um valor que tornou o Luce o carro de produção novo mais caro já vendido em leilão, segundo a Ferrari. Toda a renda será destinada a futuras iniciativas educacionais por meio da "Fundação Ferrari", uma organização reconhecida como instituição de caridade pública.

Mas o que explica esses números? Em um leilão beneficente, a legislação tributária americana permite que o valor pago seja considerado uma doação se exceder o valor justo de mercado do item em questão, desde que esse valor possa ser comprovado. Isso não significa que Wertheim possa simplesmente deduzir 40 milhões de seus impostos: o IRS (ou o equivalente à Receita Federal nos EUA) estabelece limites diferentes dependendo do tipo de contribuição e da situação fiscal do doador.

Em outras palavras, Wertheim não está pagando 40 milhões de dólares por um carro que vale 40 milhões: ele está comprando uma Ferrari que nunca mais será fabricada e, ao mesmo tempo, doando uma quantia extraordinária para uma fundação.

Ferrari

Para alguém com uma fortuna atualmente estimada em US$ 4,6 bilhões, segundo a Forbes, e um longo histórico de filantropia, a transação não representa um esforço significativo e também se encaixa em uma maneira muito particular de entender o dinheiro. E Wertheim não é um bilionário qualquer: ele é optometrista, inventor e empreendedor. Ele fundou a Brain Power Inc., uma empresa de coloração óptica para óculos, e detém mais de 100 patentes e direitos autorais.

Mas grande parte de sua fortuna veio depois: desde 1970, ele investe os lucros de sua empresa no mercado de ações e compra ações de empresas como Apple e Microsoft desde os estágios iniciais. A Forbes também o considera "o maior acionista individual da empresa aeroespacial e eletrônica Heico".

66 milhões por duas Ferraris não passa despercebido

A Ferrari possui um dos sistemas de alocação de modelos mais exclusivos do setor e tradicionalmente dá grande ênfase à fidelidade do cliente. Somente em 2025, 84% das novas Ferraris foram para clientes que já possuíam uma, e 56% para proprietários de mais de uma Ferrari, segundo a Reuters.

No entanto, a própria Ferrari negou em junho passado que a compra da Luce seja um pré-requisito para obter futuras Ferraris especiais. Enrico Galliera, então diretor de vendas e marketing da marca, afirmou que "obrigar os clientes a comprar a versão elétrica para ter acesso a modelos exclusivos seria um erro" e que a alocação ainda depende de fatores como o relacionamento histórico do cliente com a marca, a participação em suas atividades e a fidelidade.

Assim, os US$ 40 milhões de Wertheim não comprovam que ele comprou um "passe VIP" para futuras Ferraris, embora a tradição da marca possa sugerir o contrário. No entanto, demonstram claramente sua forte ligação com Maranello: em dois anos, ele pagou US$ 66 milhões por duas Ferraris exclusivas e, em ambos os casos, destinou uma parte significativa de sua fortuna a doações vinculadas à marca.

Portanto, o enorme cheque conta uma história muito mais interessante do que a de uma Ferrari elétrica vendida a um preço absurdo… Fala de um carro que já nasceu como um artefato histórico e de um mercado onde possuir a Ferrari certa pode ser tão importante quanto o próprio carro.

Imagens | @xtinagrati, @supercarsforsale

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