Um foguete sul-coreano da InnoSpace foi destruído pela Força Aérea Brasileira (FAB) cerca de 35 segundos após decolar do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão, na quarta-feira (19/08). O voo fazia parte de um teste do foguete suborbital Sebit, mas o lançamento apresentou um desvio em relação à trajetória planejada e anomalias durante a subida.
Diante da alteração de rota, a FAB acionou o Sistema de Terminação de Voo, interrompendo a missão, e o foguete caiu dentro de uma área marítima previamente definida, sem registro de feridos ou danos às instalações. Mas a pergunta que não quer calar é: como um foguete desenvolvido por uma empresa da Coreia do Sul foi parar justamente em uma base de lançamento brasileira? O motivo é o Centro de Lançamento de Alcântara, uma das localizações mais estratégicas do mundo para atividades espaciais que não é usado apenas pelo Brasil, recebendo também operações de empresas espaciais estrangeiras.
Foguete decola normalmente, mas sai da trajetória prevista
O lançamento do Sebit começou às 16h30, no horário de Brasília, a partir de Alcântara. Nos primeiros momentos, a decolagem ocorreu normalmente, mas o monitoramento identificou que o foguete começava a se afastar da trajetória estabelecida para o teste. Por essa razão, foi acionado um dos principais mecanismos de segurança de um lançamento espacial: o Sistema de Terminação de Voo (FTS), que permite interromper o voo de um veículo quando ele apresenta um comportamento que representa algum tipo de risco. No caso do Sebit, a decisão foi tomada depois que o desvio de trajetória foi identificado.
O voo terminou aproximadamente 35 segundos depois da decolagem. O foguete caiu em uma região marítima segura, que já havia sido delimitada como zona de segurança para a operação. Com isso, não houve vítimas ou danos às estruturas do Centro de Lançamento de Alcântara.
O Sebit é um foguete suborbital multipropósito desenvolvido pela InnoSpace para transportar cargas a altitudes de até 100 quilômetros e realizar missões de pesquisa e validação tecnológica. O objetivo do teste era reunir dados sobre o desempenho do foguete durante o voo, incluindo informações que ajudassem a entender seu comportamento e identificar possíveis problemas. Por isso, mesmo com o encerramento antecipado da missão, a empresa conseguiu coletar informações que agora serão analisadas para descobrir o que provocou o desvio de trajetória. Entre as informações coletadas estão dados relacionados a:
- plataforma de lançamento;
- sistema de propulsão;
- guiagem, navegação e controle (GNC);
- sistema de rastreamento;
- altitude, distância e tempo de voo.
A InnoSpace informou que pretende analisar esse conjunto de dados para entender as circunstâncias que levaram à interrupção.
Teste acontece após explosão de outro foguete da empresa em 2025
A presença do foguete sul-coreano em território brasileiro tem uma explicação: a InnoSpace utiliza a estrutura de Alcântara para realizar seus testes e operações espaciais
O episódio em Alcântara também não é o primeiro problema enfrentado pela InnoSpace durante uma missão realizada no Brasil. Em novembro de 2025, o foguete HANBIT-Nano, também desenvolvido pela empresa sul-coreana, apresentou uma anomalia cerca de 30 segundos depois da decolagem. O problema acabou levando à destruição do foguete durante o voo.
Uma investigação divulgada posteriormente pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) apontou uma falha estrutural durante a subida inicial. O veículo atingiu o solo dentro da zona de segurança estabelecida para o lançamento e ficou destruído, mas não houve feridos. Após o acidente, a InnoSpace adotou medidas para tentar evitar que uma falha semelhante voltasse a acontecer. Entre elas estavam mudanças no projeto do motor e reforços nos processos de montagem e controle de qualidade.
O novo teste com o Sebit teve outro desfecho, mas terminou novamente antes do planejado. A diferença é que, desta vez, o próprio sistema de segurança da operação foi acionado após a identificação do desvio de trajetória. Apesar da interrupção, a empresa considera que os dados obtidos durante os poucos segundos de voo são importantes para a investigação.
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