Foguete da Coreia do Sul lançado no Maranhão foi destruído pela FAB após 35 segundos de voo

Veículo da InnoSpace decolou do Centro de Lançamento de Alcântara, mas saiu da trajetória prevista; sistema de segurança foi acionado e o foguete caiu em uma área marítima previamente delimitada

Foguete Sul Coreano Da Innospace 1
Sem comentários Facebook Twitter Flipboard E-mail
laura-vieira

Laura Vieira

Redatora
laura-vieira

Laura Vieira

Redatora

Jornalista recém-formada, com experiência no Tribunal de Justiça, Alerj, jornal O Dia e como redatora em sites sobre pets e gastronomia. Gosta de ler, assistir filmes e séries e já passou boas horas construindo casas no The Sims.

878 publicaciones de Laura Vieira

Um foguete sul-coreano da InnoSpace foi destruído pela Força Aérea Brasileira (FAB) cerca de 35 segundos após decolar do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão, na quarta-feira (19/08). O voo fazia parte de um teste do foguete suborbital Sebit, mas o lançamento apresentou um desvio em relação à trajetória planejada e anomalias durante a subida

Diante da alteração de rota, a FAB acionou o Sistema de Terminação de Voo, interrompendo a missão, e o foguete caiu dentro de uma área marítima previamente definida, sem registro de feridos ou danos às instalações. Mas a pergunta que não quer calar é: como um foguete desenvolvido por uma empresa da Coreia do Sul foi parar justamente em uma base de lançamento brasileira? O motivo é o Centro de Lançamento de Alcântara, uma das localizações mais estratégicas do mundo para atividades espaciais que não é usado apenas pelo Brasil, recebendo também operações de empresas espaciais estrangeiras.

Foguete decola normalmente, mas sai da trajetória prevista

O lançamento do Sebit começou às 16h30, no horário de Brasília, a partir de Alcântara. Nos primeiros momentos, a decolagem ocorreu normalmente, mas o monitoramento identificou que o foguete começava a se afastar da trajetória estabelecida para o teste. Por essa razão,  foi acionado um dos principais mecanismos de segurança de um lançamento espacial: o Sistema de Terminação de Voo (FTS), que permite interromper o voo de um veículo quando ele apresenta um comportamento que representa algum tipo de risco. No caso do Sebit, a decisão foi tomada depois que o desvio de trajetória foi identificado.

O voo terminou aproximadamente 35 segundos depois da decolagem. O foguete caiu em uma região marítima segura, que já havia sido delimitada como zona de segurança para a operação. Com isso, não houve vítimas ou danos às estruturas do Centro de Lançamento de Alcântara.

O Sebit é um foguete suborbital multipropósito desenvolvido pela InnoSpace para transportar cargas a altitudes de até 100 quilômetros e realizar missões de pesquisa e validação tecnológica. O objetivo do teste era reunir dados sobre o desempenho do foguete durante o voo, incluindo informações que ajudassem a entender seu comportamento e identificar possíveis problemas. Por isso, mesmo com o encerramento antecipado da missão, a empresa conseguiu coletar informações que agora serão analisadas para descobrir o que provocou o desvio de trajetória. Entre as informações coletadas estão dados relacionados a:

  • plataforma de lançamento;
  • sistema de propulsão;
  • guiagem, navegação e controle (GNC);
  • sistema de rastreamento;
  • altitude, distância e tempo de voo.

A InnoSpace informou que pretende analisar esse conjunto de dados para entender as circunstâncias que levaram à interrupção.

Teste acontece após explosão de outro foguete da empresa em 2025

foguete sul coreano decolando A presença do foguete sul-coreano em território brasileiro tem uma explicação: a InnoSpace utiliza a estrutura de Alcântara para realizar seus testes e operações espaciais

O episódio em Alcântara também não é o primeiro problema enfrentado pela InnoSpace durante uma missão realizada no Brasil. Em novembro de 2025, o foguete HANBIT-Nano, também desenvolvido pela empresa sul-coreana, apresentou uma anomalia cerca de 30 segundos depois da decolagem. O problema acabou levando à destruição do foguete durante o voo.

Uma investigação divulgada posteriormente pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) apontou uma falha estrutural durante a subida inicial. O veículo atingiu o solo dentro da zona de segurança estabelecida para o lançamento e ficou destruído, mas não houve feridos. Após o acidente, a InnoSpace adotou medidas para tentar evitar que uma falha semelhante voltasse a acontecer. Entre elas estavam mudanças no projeto do motor e reforços nos processos de montagem e controle de qualidade.

O novo teste com o Sebit teve outro desfecho, mas terminou novamente antes do planejado. A diferença é que, desta vez, o próprio sistema de segurança da operação foi acionado após a identificação do desvio de trajetória. Apesar da interrupção, a empresa considera que os dados obtidos durante os poucos segundos de voo são importantes para a investigação. 

Inicio