A possibilidade de existir vida fora da Terra sempre intrigou a humanidade, e Marte é um dos principais lugares onde os cientistas procuram pistas sobre o passado habitável do Sistema Solar. Agora, o Curiosity, um robô explorador da NASA, encontrou uma formação incomum na superfície do planeta que ainda não tem uma explicação. As imagens mostram uma série de pequenas depressões, com cerca de 1 centímetro de diâmetro, que não se parecem com as marcas de erosão normalmente observadas. O registro foi feito em 19 de agosto de 2026, no vale Valle Grande, dentro da Cratera Gale.
Buracos misteriosos surgem em Marte e não se encaixam no que os cientistas conhecem
O Curiosity registrou pequenas depressões na superfície de Marte que ainda não têm uma explicação definitiva para os cientistas
O Curiosity é um laboratório móvel da NASA que explora a superfície de Marte desde 2012. O robô percorre a Cratera Gale e o Monte Sharp, analisando rochas e o solo de Marte em busca de pistas sobre como era o planeta no passado. Ao longo da missão, o veículo encontrou evidências de antigos lagos, leitos de rios e moléculas orgânicas complexas, o que permitiu ajudar cientistas a reconstruir períodos em que Marte apresentava condições muito diferentes das encontradas hoje.
Em uma exploração mais recente, o Curiosity chegou a uma região rica em sulfatos no Monte Sharp e registrou uma formação diferente, que chamou a atenção da equipe. As imagens mostram várias pequenas depressões na superfície, com cerca de 1 centímetro de diâmetro, que não se parecem com as marcas de erosão já conhecidas por lá.
Em Marte, depressões desse tipo podem surgir quando nódulos mais resistentes ou pequenos seixos se desprendem de uma rocha mais macia, deixando um espaço vazio como se fosse um buraco. O problema é que, nesse caso, não foram encontrados vestígios de algo que pudesse ter ocupado as cavidades, e o formato também não corresponde aos processos de erosão já conhecidos pelos pesquisadores. Por isso, o Curiosity registrou a região com diferentes equipamentos para tentar encontrar pistas escondidas nas imagens. Entre os instrumentos utilizados estão:
- MAHLI, uma câmera colorida instalada no braço robótico do robô, usada para obter imagens detalhadas da superfície;
- Mastcam, sistema de câmeras que registra imagens sobrepostas e permite criar modelos tridimensionais do terreno;
- instrumentos capazes de analisar a composição química das rochas e das estruturas encontradas.
A união dessas informações pode ajudar os cientistas a descobrir se as depressões são resultado de um processo de erosão ainda desconhecido, de alguma característica particular da rocha ou de outro acontecimento.
Estranhas formações aparecem em uma região marcada pela presença de água
As formações conhecidas como boxwork criam enormes padrões semelhantes a teias de aranha na superfície de Marte e podem ter sido moldadas pela ação de água subterrânea
A descoberta ficou ainda mais interessante porque os pequenos buracos não são a única característica incomum encontrada pelo Curiosity nessa área de Marte. O robô também identificou mudanças nas camadas rochosas ao redor, como estruturas ásperas e acinzentadas que resistem à erosão de maneira diferente do material vizinho.
Há ainda pequenas formações semelhantes a estalactites, com uma composição química incomum. Para os pesquisadores, o conjunto de características indica que as condições que deram origem a essas rochas podem ter mudado rapidamente ao longo do tempo. Essa região também guarda outro tipo de pista importante para entender a história do planeta: as chamadas formações boxwork, estruturas que lembram uma enorme teia de aranha quando observadas de cima.
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