Nem Buenos Aires, nem Santiago: cidade brasileira é eleita a melhor da América Latina para pedalar após quintuplicar sua malha cicloviária, criar bicicletários gigantes e virar referência mundial em mobilidade sobre duas rodas

Com cerca de 100 km de ciclovias, bicicletas compartilhadas e bicicletários, cidade fluminense virou referência em mobilidade urbana

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Natália P. Martins

Redatora

Niterói, no Rio de Janeiro, foi escolhida como a cidade mais amiga da bicicleta da América Latina no Copenhagenize Index 2025, ranking internacional elaborado pela Copenhagenize Design Company em parceria com o EIT Urban Mobility, iniciativa ligada à União Europeia. No levantamento, o município ficou em 43º lugar entre 100 cidades avaliadas no mundo, à frente de Bogotá, Fortaleza, Guadalajara e Buenos Aires. 

Desde 2013, Niterói ampliou sua infraestrutura cicloviária de 20 quilômetros para cerca de 100 quilômetros, além de criar bicicletários de grande porte, implantar um sistema público de bicicletas compartilhadas e integrar o modal à rede de transporte coletivo.  

Niterói ficou em 43º lugar no ranking mundial

O Copenhagenize Index 2025 avaliou 100 cidades de 44 países. O levantamento considera a bicicleta como parte de políticas urbanas relacionadas à mobilidade, segurança, infraestrutura e qualidade de vida.  

Na América Latina, Niterói ficou na primeira posição, com 45,3 pontos, seguida por Bogotá, com 42,7, Fortaleza, com 35,5, Guadalajara, com 34,9, e Buenos Aires, com 32,9. No ranking geral, a cidade brasileira ficou atrás de centros tradicionalmente conhecidos pela cultura cicloviária, como Utrecht, Copenhague e Amsterdã.  

Ranking da América Latina

Posição

Cidade

Posição global

Niterói

43º

Bogotá

51º

Fortaleza

69º

Guadalajara

73º

Buenos Aires

75º

Fonte: Copenhagenize Index 2025 – EIT Urban Mobility

Luciana Carneiro Ciclovia Boa Viagem 2 1 Niterói ocupa 43º lugar entre as cidades analisadas. Foto: Reprodução/Prefeitura de Niterói

Malha cicloviária cresceu quase cinco vezes

Um dos principais elementos por trás da transformação foi a expansão da infraestrutura ao longo da cidade. Em 2013, Niterói tinha aproximadamente 20 km de infraestrutura cicloviária. Em 2026, o município informa cerca de 100 km, o equivalente a 4,55 vezes a extensão registrada no início do período. 

Com o programa Niterói de Bicicleta, que reúne ações relacionadas à infraestrutura, planejamento, educação e integração do modal com outras formas de deslocamento, a estratégia municipal envolve diferentes tipos de infraestrutura e busca conectar áreas residenciais, regiões comerciais e pontos de integração com outros meios de transporte.

Bicicletários públicos ganharam espaço em pontos estratégicos 

Mais do que expansão de ciclovias, a prefeitura também investiu em outros tipos de infraestrutura para viabilizar a mobilidade dos ciclistas. O Bicicletário Araribóia, localizado ao lado da estação das barcas, no Centro, foi ampliado e atualmente possui 850 vagas.

Bicicletario Arariboia Cidade oferece bicicletários públicos para integração com transporte aquaviário. Foto: Brenno Carvalho/Agencia O Globo

O equipamento é gratuito e atende principalmente pessoas que combinam bicicleta com o transporte entre Niterói e o Rio de Janeiro.  

O espaço também possui estrutura para carregamento de bicicletas elétricas, calibrador elétrico e uma área destinada a atividades relacionadas à cultura da bicicleta.  

Em agosto de 2026, a Prefeitura de Niterói ampliou esse modelo com a inauguração do Bicicletário Público de Charitas, ao lado da estação do catamarã. Com 400 vagas e acesso gratuito, reforça a integração entre a bicicleta e o transporte hidroviário.

NitBike já passou de 2 milhões de viagens

Outra peça da estratégia é a NitBike, um sistema público de bicicletas compartilhadas criado em julho de 2024. As bicicletas, conhecidas popularmente como "roxinhas", podem ser utilizadas gratuitamente por moradores cadastrados no aplicativo.

Nitbike Sistema de bicicletas públicas compartilhadas integra estratégia da prefeitura. Foto: Reprodução/Prefeitura de Niterói

Em fevereiro de 2026, o sistema já havia ultrapassado 2 milhões de viagens, realizadas por aproximadamente 150 mil usuários. A média chegava a cerca de 180 mil deslocamentos por mês. 

O serviço permite viagens gratuitas de até 60 minutos de segunda a sábado e de até 90 minutos aos domingos e feriados, desde que seja respeitado um intervalo de 15 minutos entre as utilizações. 

Além disso, as estações funcionam 24 horas por dia e estão espalhadas por diversos pontos da cidade.  

Ciclovia de Niterói virou a mais movimentada do Brasil

Em maio de 2026, a ciclovia da Avenida Marquês do Paraná registrou 7.965 passagens de bicicletas em um único dia, segundo o sistema de monitoramento Contabike, da Eco-Counter Brasil.

Com o resultado, a via passou a ser apontada pela Prefeitura de Niterói como a ciclovia de maior fluxo do país. Em comparação com 2024, quando o sistema registrava cerca de 5.500 passagens, o aumento foi de 44%

Imagem de capa gerada por inteligência artificial.

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