O mapa mais estranho do mundo: o pedaço da Bélgica que fica dentro da Holanda onde a nacionalidade dos moradores depende da porta da frente

Em Baarle, a fronteira entre Bélgica e Holanda atravessa casas, ruas e estabelecimentos, criando um labirinto territorial em que uma simples porta pode definir de que lado do mapa uma pessoa vive

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Laura Vieira

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Laura Vieira

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Jornalista recém-formada, com experiência no Tribunal de Justiça, Alerj, jornal O Dia e como redatora em sites sobre pets e gastronomia. Gosta de ler, assistir filmes e séries e já passou boas horas construindo casas no The Sims.

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Um pedaço da Holanda dentro de um pedaço da Bélgica que, por sua vez, está cercado pela Holanda: esse é um dos quebra-cabeças geográficos mais estranhos do mundo. Esse lugar esquisito fica na região de Baarle, onde os territórios de Bélgica e Holanda se misturam em trinta pequenos enclaves, um território cujas fronteiras geográficas ficam inteiramente dentro dos limites de outro território único. Em alguns pontos, a fronteira atravessa ruas, calçadas e imóveis, fazendo com que a nacionalidade de uma casa possa ser determinada pela posição de sua porta de entrada. O mapa parece ter sido desenhado propositalmente para confundir, mas na verdade, é fruto de disputas territoriais da época da Idade Média.

Onde Bélgica e Holanda se misturam em um dos mapas mais estranhos do mundo

A região de Baarle é dividida entre o município belga de Baarle-Hertog e o município holandês de Baarle-Nassau. Ao invés de uma fronteira comum que separa os dois países, o território é formado por uma combinação de enclaves e contra-enclaves. Ou seja, isso significa que existem porções de território belga completamente cercadas pela Holanda. E a história fica ainda mais estranha porque, dentro de alguns desses territórios belgas, existem pequenos pedaços que voltam a pertencer à Holanda. É como abrir uma caixa, encontrar outra caixa dentro dela e descobrir que existe uma terceira caixa escondida lá dentro. O quebra-cabeça territorial é formado por:

  • Baarle-Hertog, pertencente à Bélgica;
  • Baarle-Nassau, pertencente à Holanda;
  • Enclaves belgas espalhados dentro do território holandês;
  • Contra-enclaves holandeses localizados dentro de alguns desses enclaves belgas.

A divisão não fica apenas no mapa. As fronteiras estão marcadas no próprio chão, atravessando ruas e calçadas. Em determinados locais, uma linha branca indica exatamente onde termina um país e começa o outro.

fronteira barlee A fronteira entre Bélgica e Holanda atravessa ruas, calçadas e imóveis na região de Baarle

A porta de casa pode definir em qual país você mora

Baarle porta da frente

A fronteira de Baarle não fica restrita aos mapas ou às placas que indicam onde começa um país e termina o outro. Em alguns pontos, a divisão atravessa literalmente casas, estabelecimentos e ruas, fazendo com que a localização de uma pessoa dentro de um imóvel tenha consequências práticas. Na rotina, essa situação pode até determinar a qual país uma residência pertence oficialmente. É aí que entra uma regra local conhecida como de voordeur regel, ou “regra da porta da frente”. Funciona assim:

  • A porta define o endereço: quando uma casa está atravessada pela fronteira, a posição da porta principal pode determinar se o imóvel é considerado belga ou holandês. Isso também define a qual legislação e sistema tributário o morador está sujeito;
  • Até a mudança de porta pode alterar a situação: em períodos em que as regras fiscais de um dos países eram mais vantajosas, alguns moradores chegaram a mudar a entrada da residência de lugar para que o endereço passasse a pertencer ao outro lado da fronteira;
  • Há casas oficialmente divididas entre os dois países: nos casos em que a fronteira atravessa a entrada do imóvel, a residência pode receber duas identificações, com elementos que indicam tanto a Bélgica quanto a Holanda.

Essa divisão também já produziu situações curiosas no comércio local. Quando determinadas regras holandesas obrigavam estabelecimentos, como bares, a encerrar as atividades mais cedo, por exemplo, a disposição das mesas podia ser alterada para que os clientes continuassem no lado belga do estabelecimento. Assim, uma única construção podia abrigar dois regimes diferentes separados por uma linha no chão. É esse tipo de detalhe que transforma Baarle em algo muito mais complexo do que uma fronteira incomum: ali, a geografia pode interferir diretamente em decisões bastante concretas do dia a dia.

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