Acreditávamos que fazer "micropausas" no trabalho nos tornava mais produtivos; a ciência tem más (e boas) notícias

Micropausas vs. trabalhar sem parar 

Reprodução
Sem comentários Facebook Twitter Flipboard E-mail
barbara-castro

Bárbara Castro

Redatora

Existe uma crença enraizada na cultura de trabalho que nos diz que, quanto mais horas passamos sentados em frente à tela sem tirar os olhos dela, mais produtivos seremos e mais tarefas conseguiremos adiantar. Dessa forma, trabalhar sem parar virou um falso sinônimo de produtividade máxima, mas existem estudos que tentam desmistificar essa ideia tão consolidada.

Para combater esse mito, uma equipe de pesquisa realizou um experimento com profissionais que lidam literalmente com a vida de seus "clientes": cirurgiões. No caso, os pesquisadores pediram aos cirurgiões que fizessem "micropausas" guiadas de alongamento, de 1,5 a 2 minutos, a cada 20 ou 40 minutos durante cirurgias.

Os resultados mostraram que 57% dos participantes apresentaram melhora no desempenho físico e 38% aumentaram a concentração mental, além de relatarem menos dores no pescoço, ombros e costas. O melhor de tudo é que um segundo estudo do mesmo grupo foi ainda mais otimista, com 100% dos participantes relatando que seu desempenho físico havia melhorado ou, pelo menos, não havia piorado.

No entanto, quando a ciência começou a medir parâmetros mais objetivos, a euforia diminuiu: um ensaio clínico randomizado que avaliou micropausas durante apendicectomias laparoscópicas não encontrou benefícios reais na resistência muscular, na precisão manual ou na redução da exaustão. O mesmo aconteceu em outro estudo de laboratório que simulou procedimentos de 90 minutos.

Se você não é cirurgião, o mais provável é que o seu cansaço venha de digitar, analisar planilhas ou atender ligações. E é aqui que entra um estudo publicado em 2022, que analisou 2.300 pessoas entre profissionais de escritório e estudantes. Os resultados foram um verdadeiro banho de água fria na ideia de que é preciso passar oito horas sem parar para produzir mais.

Os dados apontaram que as micropausas proporcionam uma melhora pequena, porém constante, nos níveis de energia e disposição. Em relação à fadiga, elas também conseguem reduzir a sensação de cansaço de forma significativa, promovendo um bem-estar maior no trabalho.

No entanto, sse mesmo estudo destaca que, se o seu trabalho envolve tarefas mecânicas ou de baixa exigência cognitiva, uma micropausa realmente ajuda no rendimento. Mas, se você estiver realizando um esforço mental intenso, uma pausa de apenas dois minutos não faz diferença alguma no desempenho. Na verdade, os pesquisadores sugerem que o cérebro precisa de intervalos superiores a dez minutos para se recuperar de tarefas verdadeiramente exigentes.

Isso vai ao encontro de um experimento clássico feito com funcionários de escritório que sofriam de dores no pescoço. Neles, foi instalado um software que os obrigava a parar por 7 segundos a cada 5 minutos e por 5 minutos a cada meia hora. Embora 55% dos participantes tenham sentido uma melhora nos incômodos (contra 34% no grupo de controle), as alterações reais e objetivas na intensidade dos sintomas não mudaram, nem houve redução no número de afastamentos médicos.

Matéria traduzida de Xataka*

Inicio