Consegue imaginar uma cidade onde não existem carros, motos, ônibus ou caminhões circulando pelas ruas? Em Afuá, na Ilha de Marajó, no Pará, não há asfalto: as vias são formadas por passarelas de madeira suspensas sobre palafitas, e a bicicleta é o principal meio de transporte no dia a dia.
Conhecida como "Veneza Marajoara" e "cidade das bicicletas", Afuá foi construída em uma área de várzea sujeita às cheias. Por isso, casas, estabelecimentos e vias foram elevados em relação ao nível do terreno e da água.
Cidade paraense proibiu carros e motos em 2002
Afuá está localizada às margens do rio que leva o mesmo nome, em uma região marcada pela presença constante da água. Por isso, a cidade se desenvolveu sobre estruturas elevadas, com ruas construídas como passarelas de madeira apoiadas em palafitas.
Cidade foi desenvolvida em região de várzea. Foto: Flickr/Rômulo Ferreira
A característica geográfica e a forma como a cidade foi construída ajudou a determinar a maneira como a população se desloca. Em 2002, o município proibiu a circulação de veículos motorizados nas ruas, incluindo carros e motocicletas. A restrição também alcança veículos elétricos, segundo registros sobre o código de posturas local.
Bicicletas substituem carros e motos no dia a dia da população
A proibição dos veículos motorizados transformou a bicicleta no principal meio de deslocamento. Em Afuá, a bicicleta está presente em praticamente todas as atividades cotidianas. Moradores utilizam o veículo para ir ao trabalho, à escola, fazer compras e transportar outras pessoas ou mercadorias.
Levantamentos citados pelo O Estado de S. Paulo apontaram que aproximadamente 75% das viagens na cidade eram feitas com bicicletas, triciclos e quadriciclos movidos por força humana.
Afuá ficou conhecida como "Cidade das Bicicletas". Foto: Flickr/Rômulo Ferreira
Além do deslocamento populacional convencional, onde cada pessoa possui sua própria bicicleta, existem versões adaptadas que atendem necessidades específicas. Um dos veículos mais característicos de Afuá é o bicitáxi, uma espécie de triciclo desenvolvido para transportar passageiros.
O modelo utiliza força humana e foi adaptado às dimensões das passarelas. Além de pessoas, esses veículos podem ser utilizados para transportar objetos e mercadorias.
Na cidade, até mesmo a Polícia Militar precisou se adaptar à realidade local. Em 2025, a PM do Pará informou que mantinha 25 policiais empregados no policiamento ciclístico em Afuá, utilizando bicicletas em rondas ostensivas, ações preventivas e deslocamentos durante ocorrências.
Serviços de emergência também usam bicicletas
A ausência de veículos convencionais também exigiu adaptações nos serviços públicos. Além do policiamento ciclístico, a cidade conta com "bicilâncias", um tipo de bicicleta adaptada para funcionar como veículo de atendimento médico.
O equipamento conta com espaço para transportar uma maca e permite que equipes de atendimento cheguem até pacientes dentro da área urbana. A estrutura funciona como uma ambulância convencional, mas utiliza bicicletas para conseguir percorrer as vias suspensas.
Bicicletas também são utilizadas em emergências. Foto: Reprodução/CNN
Afuá ganhou o apelido de "Veneza Marajoara"
Afuá foi fundada oficialmente em 1890, às margens do rio Afuá — aproximadamente 84 quilômetros de Macapá, capital do Amapá, e a cerca de 320 quilômetros de Belém. A região é marcada por áreas alagadas, igarapés e floresta de várzea. Por isso, a cidade acabou recebendo o apelido de "Veneza Marajoara" pela presença de canais, rios e construções adaptadas ao ambiente alagável.
A estrutura de palafitas elevadas também está presente nas construções e permite que a cidade continue funcionando durante os períodos de cheia. Em vez de uma malha urbana convencional formada por ruas asfaltadas, Afuá possui uma rede de passarelas e pontes que conecta diferentes pontos do município.
Imagem de capa gerada por inteligência artificial.
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