Entrar armado em um robotáxi pode acabar mal: dois menores descobriram isso quando a polícia apareceu

  • A Waymo detectou uma infração relacionada a uma arma e fez o robotáxi parar;

  • A polícia encontrou um rifle carregado e deteve dois menores;

  • O caso mostra até onde vai a supervisão em um carro sem motorista

A Waymo detectou uma infração relacionada a uma arma e fez o robotáxi parar. A polícia encontrou um rifle carregado e deteve dois menores. O caso mostra até onde vai a supervisão em um carro sem motorista.
Sem comentários Facebook Twitter Flipboard E-mail
fabricio-mainenti

Fabrício Mainenti

Redator

Na Espanha, ainda não podemos abrir um aplicativo e solicitar normalmente um robotáxi totalmente autônomo. Pode parecer uma cena distante, embora sua implementação aqui esteja cada vez mais próxima, enquanto em cidades dos Estados Unidos e da China esses veículos já transportam passageiros há algum tempo sem ninguém ao volante.

E essa experiência começa a nos ensinar algo que talvez não seja tão óbvio: quando não há mais motorista, não desaparecem necessariamente os olhos que observam o que acontece lá dentro.

Uma viagem que terminou com a polícia

O exemplo mais recente nos leva a São Francisco, pouco antes das quatro da manhã de 3 de setembro. Dois menores, um rapaz e uma moça, viajavam em um Waymo quando a empresa detectou uma violação de seus termos de serviço relacionada a uma arma, parou o veículo e acionou os serviços de emergência.

A polícia realizou uma abordagem de alto risco e, ao revistar o carro, encontrou um fuzil carregado estilo AR — descrito como uma "ghost gun" (arma sem registro/número de série) —, além de suposta maconha e spray de defesa. Ambos os passageiros foram detidos e encaminhados a um centro de atendimento a menores.

Como a Waymo soube que algo estava acontecendo

A pergunta inevitável é como a empresa conseguiu saber o que ocorria no interior do veículo. Seus carros possuem câmeras internas que permanecem ligadas e gravando durante a viagem; a empresa explica que essas imagens podem ser usadas para verificar o cumprimento das normas, analisar ocorrências quando surge um problema e responder a emergências.

Sua equipe de suporte pode revisar as gravações e até acessar o vídeo em tempo real em situações de urgência. O que não foi explicado é exatamente o que aconteceu neste caso: não sabemos se houve detecção automática, análise humana ou algum outro mecanismo que tenha disparado o alerta.

Um robotáxi também tem regras

O fato de não haver motorista não significa que possamos fazer o que quisermos lá dentro. As normas da Waymo proíbem expressamente o transporte de armas de qualquer tipo e exigem idade mínima de 18 anos para viajar sem um adulto. Em São Francisco, portanto, havia pelo menos dois elementos que violavam essas condições: uma arma dentro do veículo e dois menores viajando sozinhos.

A polícia descreveu, ainda, o rifle como uma "ghost gun" (arma fantasma), um tipo de arma de fabricação privada cuja falta de um número de série válido dificulta o seu rastreamento.

A Waymo já havia lidado com uma situação semelhante anteriormente

Apenas dois meses antes, um caso parecido ocorreu em San Mateo. Dois jovens de 15 anos viajavam em um dos carros da empresa enquanto bebiam álcool e disparavam projéteis de gel (Orbeez) com armas de brinquedo. A empresa interveio remotamente, fez o veículo parar em um estacionamento e acionou a polícia, que acabou detendo os adolescentes.

O carro, no entanto, não se transformou em uma cela improvisada: a Polícia de San Mateo explicou à Associated Press que os passageiros não estavam trancados e podiam sair do veículo.

A Espanha começa a se preparar

O caso de São Francisco pode parecer distante, mas a Espanha já está preparando o terreno para que isso mude. A DGT autorizou testes com 20 robotáxis de nível SAE 4 da Waymo, WeRide e Uber, e as empresas pretendem iniciar operações comerciais em Madri antes do final de 2026, inicialmente com um especialista a bordo.

Quando esses veículos passarem a fazer parte dos deslocamentos, será possível descobrir diferenças menos óbvias do que a simples ausência de mãos humanas na direção: quem supervisiona o interior do veículo, quais normas ainda precisamos cumprir e o que acontece quando alguém as descumpre.

Imagens | Waymo

Inicio