O Tesla Cybertruck causou enorme repercussão antes mesmo de chegar. Mas, depois do barulho inicial, foi desaparecendo pouco a pouco. No caminho, vimos notícias de todo tipo.
Surgiram os primeiros problemas de confiabilidade. Nos perguntamos se a picape era realmente segura. Houve quem perdeu (muito) dinheiro com a compra. E houve quem precisou acumulá-las em um estacionamento ao lado da concessionária, incapaz de vendê-las. No meio disso tudo, mais problemas de confiabilidade.
E quando achávamos que tudo havia se acalmado e que a Tesla poderia respirar um pouco, surge um novo problema. Sim, a companhia teve que convocar novamente um recall de sua picape “indestrutível”. Desta vez, porque as rodas podem cair.
Os órgãos reguladores dos EUA voltaram a obrigar a Tesla a realizar um recall do Cybertruck. O problema, afirma a Wired, não é pequeno: as rodas podem cair de forma repentina. Ao que tudo indica, alguns veículos apresentaram defeito nas porcas e na graxa usada nessa área. E as consequências são óbvias.
Por isso, a picape elétrica enfrenta seu 11º recall. Não é a primeira vez que os proprietários precisam levar o carro à oficina porque o veículo literalmente se desmonta. E isso porque vários donos colocaram em dúvida o adesivo usado em diferentes peças ou painéis. Como consequência, a empresa precisou interromper a linha de montagem e revisar o que estava acontecendo. Há quase dois anos, os acabamentos traseiros também precisaram ser revisados pelo mesmo problema.
Só no primeiro ano, em até cinco ocasiões, a Tesla precisou convocar os donos dos carros. Em uma delas, porque o acabamento do acelerador podia se soltar durante a condução e gerar complicações. Depois, houve problemas de software, nos limpadores de parabrisa e na câmera traseira, para citar alguns exemplos.
Enquanto a Tesla fazia recall atrás de recall, o mercado foi virando as costas para o utilitário. A empresa teve a oportunidade de transformar esse carro em um modelo símbolo, aspiracional e de imagem de marca. No entanto, na convicção de que ele poderia ser rentável e de que havia um nicho de mercado que ninguém estava cobrindo bateu de frente com um muro. O mesmo muro contra o qual todas as picapes elétricas se chocaram.
Esse tipo de automóvel tem grande aceitação nos EUA, mas quem realmente o quer para trabalhar ou como meio de transporte em um lugar inóspito ainda não pode confiar em um veículo totalmente elétrico. Isso porque o consumo dispara ao rebocar outro veículo ou transportar carga. Isso é um problema quando se vive no meio do nada, a dezenas ou centenas de quilômetros da cidade mais próxima.
Ainda assim, o Cybertruck poderia ter sido reinventado como objeto de ostentação, como um capricho que o cliente em potencial quer se dar. Poderia, se a demanda tivesse sido calculada corretamente. E, sobretudo, se tivessem criado um carro que não se desmontasse.
Imagem | Rana Singh (Unsplash)
Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.
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