Após o desastre do Titan, segmento de submarinos de luxo volta a crescer

A China prepara um submarino turístico capaz de descer a 1.000 metros

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Victor Bianchin

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Victor Bianchin

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Victor Bianchin é jornalista.

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A exploração do oceano profundo sempre foi coisa de cientistas e máquinas controladas à distância. A China quer mudar isso e já tem um plano ambicioso em andamento: levar turistas endinheirados a 1.000 metros de profundidade, onde a luz do Sol não chega e onde uma falha de engenharia não tem volta.

O projeto surge três anos após a tragédia do Titan, o submersível da OceanGate que implodiu em junho de 2023 enquanto visitava os destroços do RMS Titanic, matando seus cinco ocupantes. A proposta chinesa, diferentemente do Titan, vem respaldada por décadas de engenharia naval desenvolvida com apoio do país.

Ye Cong, diretor do Centro de Pesquisa Científica Naval da China, contou ao China Daily que “após mais de quatro anos de pesquisa, os engenheiros concluíram o projeto estrutural” e que, uma vez construído o protótipo, “realizarão testes no mar e depois aperfeiçoarão o projeto com base nos resultados”. O submersível terá espaço suficiente para acomodar quatro pessoas, incluindo o piloto, de modo que, de início, a disponibilidade de vagas é muito reduzida. Espera-se que essa escassez faça os preços por assento dispararem.

Um dos problemas mais complexos do pequeno submarino já está resolvido: o visor panorâmico. Seus projetistas o descrevem como “um dos códigos estruturais mais difíceis de decifrar em um submersível de águas profundas”. E faz sentido, já que, a 1.000 metros de profundidade, a pressão é cerca de 100 vezes maior do que na superfície e essa janela precisa suportá-la sem ceder.

Este não é o primeiro submersível operado por engenheiros da China. No entanto, como relata o South China Morning Post, os novos projetos em teste superam em muito as profundidades alcançadas pelos submersíveis atuais, que não passam de 20 metros. Eles servem para lagos, reservatórios e costas rasas, então passar disso para 1.000 metros significa multiplicar por 50 a profundidade operacional.

O mesmo centro de engenharia naval que agora está construindo essa nova geração de minissubmarinos tripulados já construiu o Huandao Jiaolong 1 e o Huandao Jiaolong 2, dois submersíveis turísticos com capacidade para sete passageiros e limite de 40 metros. No entanto, naquela ocasião, as operações de mergulho foram suspensas por restrições regulatórias. Ficou o aprendizado, agora aplicado ao novo projeto.

A China entra no campo da exploração submarina

O Ocidente dedica décadas ao projeto de submersíveis para mergulhos profundos. Empresas como Deep Rover, Triton Submarines e U-Boat Worx fabricam submersíveis capazes de descer mais de 1.000 metros desde 1985 e, até agora, não tinham concorrência chinesa nesse segmento. O novo projeto desenvolvido pelo Centro de Pesquisa Científica Naval da China muda esse cenário, respaldado pela experiência anterior do Jiaolong, do Deep Sea Warrior e do Fendouzhe, três embarcações que, no ano passado, completaram mais de 300 mergulhos em todo o mundo e acumularam mais de 50% de todas as expedições tripuladas em águas profundas em escala global.

Ye Cong afirmou à agência de notícias chinesa que o submersível “será um recurso valioso para linhas de cruzeiro, operadores turísticos de alto padrão e pesquisadores oceanográficos. Oferecerá aos viajantes mais exigentes uma experiência inesquecível na exploração do oceano”. O protótipo deve estar pronto antes do fim de 2026, com estreia comercial prevista antes de 2030.

O submersível não será apenas um produto destinado ao uso turístico de milionários com espírito aventureiro. Ele faz parte da estratégia da China para se fortalecer na economia azul, o setor de atividades econômicas ligadas ao mar, uma área em desenvolvimento na qual o país busca assumir um papel protagonista no futuro.

O gigante asiático já lidera a exploração tripulada de águas profundas e quer transformar essa vantagem tecnológica em negócios privados para suas empresas.

Após a catástrofe do Titan, boa parte da indústria do turismo submarino de luxo freou bruscamente. A China é a primeira a voltar a acelerar nesse setor e, neste projeto, com o apoio de recursos do governo, o que lhe dá uma vantagem considerável em relação a projetos que, como o Titan, são desenvolvidos com fundos e investidores privados.

Imagem | CSSC

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.


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