Em modelos de luxo, é comum ver o logotipo da marca bordado no encosto de cabeça ou no próprio banco. Outros fabricantes, como a Mercedes ou a divisão BMW M, fixam um logotipo de metal ou plástico diretamente no banco. No entanto, no caso da Mercedes, o logotipo AMG levou a marca aos tribunais.
Dois proprietários americanos alegam que essa peça metálica, aquecida pelo sol, causou-lhes queimaduras de segundo grau, deixando a marca do logotipo AMG gravada na pele — tal como se faz com o gado.
Marcado pelo seu carro
A ação judicial foi aberta na semana passada na Califórnia e abrange os casos de Gabriel Lahigani e Karendeep “Karina” Bath. Lahigani dirigia um Mercedes-AMG Classe E em regime de leasing em Los Angeles e sofreu queimaduras em maio passado, após encostar as costas no banco enquanto usava uma blusa sem mangas.
Segundo o processo, um dermatologista confirmou queimaduras de primeiro e segundo graus, com um contorno que reproduzia as letras “AMG” marcadas na pele.
Bath passou por uma situação semelhante seis semanas depois. Ao entrar em seu Mercedes-AMG — que estava estacionado ao sol em Los Angeles — com os ombros expostos, ela sentiu imediatamente o contato com o logotipo e uma sensação de queimação. Nos dias seguintes, de acordo com o processo, a área afetada apresentou uma mancha escura resultante de uma queimadura com o formato do logotipo AMG.
Os autores da ação buscam o reembolso das despesas médicas decorrentes (que, como é comum nos EUA, são extremamente elevadas), bem como indenização pela dor física e pelo sofrimento emocional causados. Eles também exigem que a Mercedes remova o logotipo metálico para qualquer proprietário de modelos afetados que solicite tal medida.
O argumento central do processo é que o logotipo em relevo está posicionado exatamente onde as costas normalmente se apoiam, transformando um elemento decorativo em um risco praticamente inevitável caso o carro tenha ficado estacionado ao sol.
Esta não é a primeira vez que a Mercedes enfrenta um processo judicial nos EUA devido ao interior de seus veículos. Em agosto de 2025, um grupo de proprietários dos modelos Mercedes ML, GL, GLE, GLS, GLC e GLK (fabricados entre 2013 e 2022) processou a marca por causa do acabamento de madeira nas portas; a queixa alegava que o acabamento rachava com o tempo, um defeito do qual a Mercedes tinha conhecimento, mas que não havia divulgado.
Algumas concessionárias registraram orçamentos de reparo superiores a US$ 1.000 (cerca de R$ 5.163) apenas para substituir uma única peça de acabamento de madeira da porta.
O ponto em comum nesses casos é um interior cada vez mais repleto de materiais e acabamentos que pretendem ser premium — mas, quando surge uma falha de projeto ou fabricação, isso se torna a base para uma ação coletiva.
No caso do logotipo AMG, o argumento faz certo sentido. É previsível que metais expostos ao sol atinjam altas temperaturas, especialmente sob luz solar direta. E, claro, o fato de a peça ficar posicionada exatamente contra as costas — entre as omoplatas — torna difícil evitar o contato.
Até o momento, a Mercedes não se pronunciou sobre a ação judicial.
Imagens | Mercedes-AMG, Motorpasión
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