Neurocientistas concordam: "Reggaeton é a música que ativa mais partes do cérebro, ainda mais do que a música clássica"

Após analisar diferentes pessoas usando ressonância magnética, ciência entende o que é mais atraente

Imagens | Thibault Trillet
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PH Mota

Redator
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PH Mota

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Jornalista há 15 anos, teve uma infância analógica cada vez mais conquistada pelos charmes das novas tecnologias. Do videocassete ao streaming, do Windows 3.1 aos celulares cada vez menores.

1995 publicaciones de PH Mota

Por décadas, a cultura popular e especialistas têm aclamado a música clássica como a que mais estimula o cérebro, um fenômeno conhecido como "efeito Mozart". No entanto, quando colocamos uma pessoa em uma máquina de ressonância magnética e observamos como suas redes neurais reagiam à música, descobrimos que o reggaeton é o que realmente estimula nossas habilidades cognitivas. Isso destrói completamente nossas noções preconcebidas, já que para muitos, o reggaeton é simplesmente "lixo".

O experimento

Para entender esse fenômeno, uma equipe de pesquisadores das Ilhas Canárias e da Finlândia conduziu um estudo fundamental usando ressonância magnética funcional (RMf) em 28 pessoas sem nenhum treinamento musical. Nesse caso, os participantes foram expostos a quatro gêneros musicais: clássica, folclórica, eletrônica e reggaeton.

Para evitar que a linguagem ou a mensagem influenciassem a resposta do cérebro, os cientistas utilizaram apenas trechos instrumentais, eliminando as letras. Os resultados indicaram que o reggaeton induziu a maior atividade na rede auditivo-motora em comparação com os outros estilos, superando a música clássica por uma margem significativa.

Importância

Ao ouvir reggaeton, não apenas o córtex auditivo é ativado para processar o som, mas também uma intensa atividade é desencadeada em várias regiões motoras do cérebro e nos gânglios da base, áreas associadas ao movimento e ao prazer. Em outras palavras, ao ouvir esse tipo de música, o cérebro se prepara para se mover mesmo que a pessoa esteja completamente imóvel dentro da ressonância.

Anatomia do "groove"

Esse recrutamento do sistema motor não é exclusivo de um único gênero, mas depende muito do que é chamado de groove em neurociência cognitiva, que é a qualidade da música que incita o movimento.

Estudos recentes demonstram que a música mais "groove" aumenta massivamente a atividade no putâmen e na área motora suplementar. Os pesquisadores citam explicitamente o estudo sobre o reggaeton como o exemplo paradigmático de um gênero que atinge a ativação máxima nessa rede.

O que o cérebro gosta

Como explicou Manuela Edel Caño, nosso cérebro está programado para prever, pois isso permite que ele se prepare para o que está por vir, uma questão de pura sobrevivência. É por isso que nosso cérebro adora reggaeton: se ouvimos uma batida, podemos facilmente identificar um padrão devido à simplicidade dessas músicas.

Isso não acontece em uma partitura clássica de Mozart ou Bach, onde a complexidade das partituras torna cada parte de uma peça completamente diferente, sem encontrar um padrão rítmico como ocorre no reggaeton. Aqui, quando o cérebro não consegue prever o que vamos ouvir, ele desliga.

Na doença de Parkinson

Além da curiosidade científica ou da compreensão de por que é tão difícil não bater o pé em uma boate, essas descobertas têm um enorme potencial clínico. Saber que padrões rítmicos e previsíveis ativam profundamente os gânglios da base, o cerebelo e o córtex pré-motor abre caminhos fascinantes para o tratamento de distúrbios do movimento. A doença de Parkinson, caracterizada pela degeneração dos gânglios da base, frequentemente causa sérios problemas de marcha e dificuldade para iniciar movimentos voluntários.

Neste contexto, a ciência demonstrou que, por meio da estimulação auditiva rítmica, o cérebro utiliza essas redes auditivo-motoras saudáveis ​​como uma "ponte" que compensa as deficiências nos gânglios da base, melhorando drasticamente a marcha dos pacientes. E embora essas terapias não prescrevam especificamente o reggaeton, a plausibilidade de utilizar seu padrão rítmico altamente previsível e estimulante é uma hipótese neurocientífica sólida.

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