Especialistas começam a ficar preocupados: "É provável que tenhamos registrado a temperatura mais alta do mar em 125.000 anos"

Absorvendo 91% do calor do sistema, o mar vem nos protegendo há anos. Agora é hora de pagar a conta

Temperatura do mar
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Victor Bianchin

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Victor Bianchin é jornalista.

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Em 22 de agosto, a temperatura média diária da superfície do mar entre 60 graus norte e 60 graus sul atingiu 21,104 ºC. O valor mais alto já registrado desde que somos capazes de medi-lo.

E a primeira coisa que pensamos é que não é nada demais. O recorde anterior foi registrado em 1º de março de 2024 e estava apenas um pouco mais baixo, em 21,09 ºC. Será que realmente vale a pena levar as mãos à cabeça por causa de catorze milésimos de grau?

A média da temperatura da superfície dos oceanos segue o calendário do Hemisfério Sul porque, afinal, é aqui que está a maior parte da água do planeta. Dessa forma, podemos dizer que o pico das temperaturas é atingido por volta de março e o ponto mais baixo, por volta de agosto.

E, visto em perspectiva, os 21,104 graus não estão um pouco acima da média; estão muito fora da curva. E isso apesar de, há décadas, esse "piso" não parar de subir.

Esse aquecimento não surgiu do nada. O oceano absorve 91% de todo o calor excedente do sistema climático, o que fez com que a taxa de aquecimento dobrasse nas últimas décadas. Isso tornou o pico de 22 de agosto mais fácil de alcançar (sobretudo com a ajuda do que se espera que seja um dos El Niños mais intensos da história recente).

Todas essas contas terão que começar a ser pagas. No Mar Mediterrâneo, os europeus já estão vendo que elas são caras (e as tempestades dos últimos dias deixam isso bem claro), mas os efeitos se espalham por todo o globo. Quando o ciclone tropical Lala passou perto do Havaí neste mês, o arquipélago estava há pelo menos 155 anos sem sofrer nenhum impacto direto.

E se a situação for pior do que pensamos? É isso que sustenta Ryan Katz-Rosene, professor da Universidade de Ottawa e especialista em economia política ambiental. “É provável que tenham sido registradas as temperaturas mais altas da superfície do mar de todo o Holoceno e, possivelmente, até mesmo desde o último período interglacial, há 125.000 anos”, afirma.

E, de fato, sua intuição encontra respaldo: os estudos paleoclimáticos vêm nos dizendo que, durante os últimos 12.000 anos, a temperatura não fez outra coisa senão crescer e que, durante o último período interglacial (há cerca de 125.000 anos), a temperatura era semelhante à registrada no período de 1995 a 2014. Ou seja, o que Katz-Rosene sustenta é compatível com o que sabemos.

O que nos espera no verão oceânico se, como parece, o El Niño continuar dando esse empurrão? Por enquanto, só temos a certeza de que precisamos estar preparados para qualquer coisa.

Imagem | Climate Reanalyzer

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.


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