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Segundo a PlayStation, "é lógico" não possuir jogos digitais e os "consumidores sensatos" sabem disso

A Sony reforçou sua posição categórica sobre games digitais: você não é dono do que compra, nunca foi, e a empresa defende que todo mundo já sabe disso

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Bárbara Castro

Redatora

O fim do formato físico e as polêmicas sobre licenciamento estão longe de terminar. Para quem não se lembra, a Sony já enfrentava uma ação judicial por conta do botão "Comprar" na PS Store. Usuários acusaram a gigante japonesa de induzir a comunidade ao erro sobre a posse dos títulos, mas a resposta legal da fabricante foi taxativa: ninguém possui um jogo digital, apenas uma licença de uso. E, nas palavras da empresa, "os consumidores razoáveis" já sabem muito bem disso.

O litígio teve início em junho passado, quando um grupo de jogadores processou a marca devido aos seus termos de serviço para conteúdo digital — uma diretriz que gera rejeição contínua, mas que também é adotada por concorrentes como Microsoft, Nintendo e Valve. Em termos práticos: a PlayStation sustenta que qualquer compra em sua loja virtual concede apenas uma licença revogável, passível de cancelamento a qualquer instante, a critério exclusivo da companhia.

A ação argumenta que expressões como "comprar agora" ou "confirmar compra" na PlayStation Network transmitem a falsa impressão de posse definitiva do produto, em vez de um simples "aluguel" ou autorização de acesso temporária até que a publicadora ou a loja decida removê-lo da biblioteca. Diante do processo, o conglomerado japonês não deu o menor sinal de recuo. Pelo contrário: dobrou a aposta.

Para a Sony, "é lógico" não ser dono de um jogo digital

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Conforme apuração exclusiva do portal Game File, repercutida pelo VGC, a réplica jurídica formal da fabricante já foi apresentada. Longe de buscar um acordo amigável ou rever o conceito de posse digital, a empresa preferiu fechar o cerco e manter uma postura irredutível. A defesa afirma categoricamente que consumidores razoáveis compreendem com clareza que não são proprietários dos jogos digitais, sendo desnecessário reforçar isso a cada transação.

Para fundamentar a posição, a empresa defende que ninguém pode ser "dono" de uma cópia virtual por não se tratar de um recurso escasso: milhões de jogadores podem adquirir simultaneamente a mesma versão do software. O fabricante reforça que o conteúdo é concedido sob licença e jamais vendido. "É lógico. Em plena era digital, não faz sentido presumir que consumidores razoáveis acreditem estar adquirindo a 'propriedade' de um jogo digital", conclui a defesa da PlayStation.

A exceção do modelo sem DRM no mercado

Essa justificativa, contudo, conta apenas metade da história. Ter algo muito próximo da posse efetiva no meio digital é perfeitamente viável, e o melhor exemplo prático vem da Europa. No GOG, a plataforma mantida pela CD Projekt, todos os títulos são disponibilizados sem DRM (gestão de direitos digitais) e acompanham instaladores offline para download imediato. Uma vez salvo na sua unidade de armazenamento, o arquivo pertence a você: pode ser instalado e jogado mesmo que a plataforma deixe de existir, que o título suma do catálogo ou que você fique totalmente desconectado. Não existe servidor checando permissões nem inicializador obrigatório. Tecnicamente falando, é algo possível.

É bem verdade que, em termos estritamente jurídicos, a compra no GOG também se trata de uma licença de uso pessoal. O contrato proíbe redistribuição comercial e não estabelece uma promessa irrevogável de "DRM-free" blindada contra tudo; mesmo assim, a possibilidade física de arquivar o instalador concede uma tranquilidade impensável nos ecossistemas fechados dos consoles.

O fim anunciado dos discos até 2028

Seja como for, o debate sobre a posse de software ganhou contornos ainda mais delicados após os planos da PlayStation de abandonar por completo os lançamentos físicos até 2028. Apesar da forte reação negativa da comunidade e de veículos especializados, a fabricante japonesa não planeja recuar: ela defende esse cronograma abertamente em relatórios financeiros e já começou a incluir avisos nas caixas de PS5 alertando para o fim do formato em disco a partir de 2028.

Resta aguardar os desdobramentos nos tribunais para verificar se o caso impulsionará uma reflexão mais profunda sobre o que realmente compramos na internet. Por enquanto, a abordagem livre de amarras do GOG permanece como uma rara exceção em um ecossistema voltado ao controle irrestrito de licenças.

Matéria traduzida de Xataka*

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