A Nintendo que conhecemos hoje sabe bem qual é seu território: o mundo dos videogames, onde seu Switch 2 é sucesso de vendas e seus personagens, como Mario e Link, são queridos pelo público. O curioso é que olhar para uma empresa a partir do presente pode nos enganar bastante sobre o caminho que ela percorreu para chegar até aqui. A Nintendo passou por uma fase em que decidiu buscar crescimento em áreas bastante inusitadas.
Para entender como isso aconteceu, precisamos voltar ao fim dos anos 1950. Em 1959, a Nintendo lançou cartas com personagens da Disney e conseguiu alcançar um público mais amplo, especialmente famílias e crianças. O sucesso do produto contribuiu para que a empresa abrisse seu capital em 1962.
Em vez de confiar indefinidamente em um produto bem-sucedido, Hiroshi Yamauchi, presidente da Nintendo desde 1949 e futuro responsável por boa parte de sua transformação, já queria pensar no próximo passo. Ele temia que, quando o sucesso das cartas Disney se esgotasse, a empresa ficasse sem opções.
Um carro da Daiya Kotsu em 1971
Essa filosofia empresarial logo deixou de ser apenas teoria. Em 1960, a empresa deu um de seus saltos mais surpreendentes para fora do entretenimento e colocou em operação a Daiya Kotsu, uma empresa dedicada ao serviço de táxi que chegou a operar uma frota de cerca de 40 veículos. A aventura, porém, não se concretizou em uma nova área estável para a empresa, e a Nintendo acabou deixando o setor. A busca de Yamauchi estava longe de terminar.
Arroz da Nintendo
Um ano depois, o presidente voltou a mudar de área. Em 1961, participou, junto com a Omi Kenshi, da criação da San-O Foods, com a qual entrou no ramo alimentício. Seu produto mais chamativo foi o arroz instantâneo, concebido como uma espécie de equivalente, em arroz, ao macarrão instantâneo: adicionar água quente, esperar alguns minutos e comer. A aposta tinha pouco a ver com as cartas e menos ainda com os videogames que viriam depois, mas se encaixava perfeitamente naquela fase de experimentação empresarial.
Anúncio publicitário do San-O Instant Rice, um dos produtos da Nintendo no ramo alimentício
A incursão no setor alimentício foi mais ampla do que esse único produto sugere. A Nintendo chegou a lançar também fugu chazuke, o furikake Disney Flicker e até o Popeye Ramen. Nenhuma dessas tentativas acabou apresentando o resultado esperado e a aventura no setor alimentício acabou se somando à lista de negócios que não deram certo. A essa altura, Yamauchi havia constatado que sair do entretenimento podia abrir portas, mas não necessariamente levar a uma via de crescimento sustentável.
A saída acabou aparecendo muito mais perto de casa. A Nintendo encontrou oportunidades nos brinquedos, foi incorporando a eletrônica e, em 1977, lançou seus primeiros consoles domésticos, Color TV-Game 6 e Color TV-Game 15. Em 1978, começou a desenvolver e vender máquinas de videogame de arcade; depois viriam Game & Watch, em 1980, Donkey Kong, em 1981, e Famicom, em 1983.
Olhando hoje, a sequência parece quase inevitável, mas não foi: antes de se tornar a Nintendo que conhecemos, a empresa passou anos testando negócios bastante distantes do mundo dos games.
Imagens | Xataka com Nano Banana, Nintendo
Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.
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