No Vale do Silício e na tecnologia em geral, ser enorme não garante estar preparado para vencer todas as corridas. Você pode ter dinheiro, talento, centros de dados, bilhões de usuários e uma máquina capaz de integrar qualquer novidade em produtos que usamos diariamente. Ainda assim, quando o tabuleiro muda, a pergunta também muda. A Meta há anos tenta demonstrar que não só pode distribuir inteligência artificial em escala, mas também competir no centro da conversa. O problema é que, quando pensamos em chatbots, ela ainda não parece ser o primeiro nome que vem à mente.
14,3 bilhões de dólares. Em 13 de junho de 2025, a agência Reuters informou que a Meta adquiriria uma participação de 49% na Scale AI por esse valor — naquele momento, a startup estava avaliada em cerca de 29 bilhões de dólares. A própria Scale falou de um novo investimento significativo da Meta, embora não tenha divulgado o valor exato. Não estamos falando, portanto, de tudo o que a empresa já destinou à IA, mas de uma aposta identificável dentro de uma conta muito mais ampla.
A Scale provavelmente não era uma daquelas empresas que estavam no radar quando se falava de inteligência artificial. Ela não tinha o brilho público do ChatGPT nem a vitrine do Gemini, mas ocupava um lugar importante na engrenagem que torna possível treinar e avaliar modelos. Seu trabalho gira em torno dos dados que permitem treinar, avaliar e melhorar sistemas de IA, incluindo dados rotulados ou curados para treinamento.
Além de investir na Scale AI, a Meta também trouxe seu fundador, Alexandr Wang, ao seu departamento de inteligência artificial. A presença do executivo, afirma a Reuters, era essencial para liderar os esforços de superinteligência da Meta nessa nova fase. A própria Scale confirmou que Wang se juntaria à Meta para trabalhar em seus projetos de IA. Assim, o investimento não deve ser lido apenas como uma entrada no capital de uma empresa de dados, mas como uma forma de acelerar liderança e talento.
O investimento chegou em um momento em que a Meta precisava reforçar sua posição na corrida da IA avançada. Ele ocorreu em um cenário marcado pela má recepção do Llama 4, sua mais recente grande família de modelos abertos, e pela pressão competitiva de empresas como Google, OpenAI e DeepSeek. Não era apenas uma questão de ter mais recursos ou adicionar uma nova peça ao organograma. O que estava em jogo era recuperar fôlego em um terreno onde outros nomes vinham moldando boa parte da conversa técnica, empresarial e pública.
Um novo modelo, o mesmo problema
O resultado mais reconhecível dessa nova fase é o Muse Spark, apresentado pela Meta como o primeiro modelo de uma nova família criada pela Meta Superintelligence Labs. A empresa afirma que ele já alimenta o Meta AI no aplicativo e na web, além de estar sendo implementado em WhatsApp, Instagram, Facebook, Messenger e em seus óculos de IA. Aqui há um ponto importante: a Meta não precisa convencer o usuário a instalar um novo aplicativo do zero — ela já tem os canais. Mas ter as ferramentas é uma coisa, conseguir que sejam relevantes é outra.
O fato de o modelo estar dentro do WhatsApp ou do Instagram não significa que as pessoas o usem para muitas tarefas. O Muse Spark não parece estar ocupando o espaço que modelos como o GPT ou o Gemini ocupam. Ainda assim, segundo a Reuters, ele apresenta bons resultados em linguagem e compreensão visual, embora fique atrás em codificação e raciocínio abstrato. A Meta consegue estar presente, mas ainda não demonstra que essa presença é suficiente para mudar hábitos.
O Muse Spark não segue o caminho que havia dado tanta visibilidade ao Llama: o The Wall Street Journal o descreveu como um modelo fechado. A própria empresa fala de uma API em prévia privada para parceiros selecionados, não de um acesso aberto e geral para qualquer desenvolvedor. Ou seja, a Meta colocou um novo modelo em circulação, mas fez isso de forma mais controlada, mais integrada aos seus produtos e menos aberta do que a estratégia com a qual havia tentado se diferenciar em IA.
A Meta pode integrar IA em produtos gigantescos, mas a corrida da IA generativa também acontece em outro terreno: o dos nomes que o usuário reconhece quando precisa de um chatbot. E aí a empresa de Zuckerberg não parece ocupar o mesmo espaço que ChatGPT, Gemini, Claude ou Grok. A dúvida econômica também não desapareceu. E, um detalhe nada menor, a publicidade continua sendo o motor da receita da Meta.
Imagens | Mark Zuckerberg
Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.
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