Instalei o Windows no meu MacBook Neo para ver se os seus 8 GB de RAM seriam problema e tive uma surpresa

A última coisa esperada a se fazer com um MacBook Neo era instalar o Windows

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PH Mota

Redator
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Jornalista há 15 anos, teve uma infância analógica cada vez mais conquistada pelos charmes das novas tecnologias. Do videocassete ao streaming, do Windows 3.1 aos celulares cada vez menores.

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O texto a seguir é uma tradução do relato em primeira pessoa de Guille Lomener, editor do Applesfera

A última coisa que eu esperava fazer com o meu MacBook Neo era instalar o Windows. O motivo de eu ter um Mac é justamente para me livrar do Windows, viver no macOS e nunca mais olhar para trás. Mas numa manhã, com meu café na mão e a pergunta me incomodando desde que comprei o MacBook Neo, decidi que precisava descobrir. Será que 8 GB de RAM aguentam rodar macOS e Windows ao mesmo tempo? Ou será pura loucura? Resumindo, funciona. A resposta completa está neste artigo.

A instalação é o de menos

Se você está curioso para saber como instalar o Windows em um Mac com Apple Silicon, vou explicar tudo em detalhes aqui, mas já adianto: o Parallels torna tudo absurdamente fácil.

Você baixa o aplicativo, abre, seleciona a opção para instalar o Windows e pode praticamente fazer outra coisa enquanto ele baixa e instala automaticamente. O Windows aparece no Dock como se fosse apenas mais um aplicativo do macOS. A primeira vez que você vê, é curioso.

O que me interessou não foi a instalação em si, mas o que aconteceu depois. Inicializar o Windows num MacBook Neo com 8 GB de RAM é, pensando bem, insano. Estamos falando de um laptop com processador de iPhone, sem ventoinha, 8 GB de memória não expansível que precisa ser dividida entre macOS, Windows e tudo o que estiver aberto em ambos os sistemas simultaneamente. É como instalar o Windows num iPhone.

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A surpresa: funciona, e funciona bem

Inicializei o Windows, comecei a mexer, abri o navegador, usei alguns aplicativos e o MacBook Neo nem sequer hesitou. O desempenho para uso normal é surpreendentemente bom.

A Parallels publicou seus próprios testes comparando o MacBook Neo com laptops Windows de gama média, e o chip A18 Pro supera os concorrentes com mais RAM e resfriamento ativo em desempenho de núcleo único. Isso é perceptível no uso diário: os aplicativos respondem rapidamente, não há atrasos ao alternar entre macOS e Windows, e a experiência geral é muito melhor do que eu esperava quando comecei o teste.

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Aqui está o ponto importante: quando digo que funciona bem, quero dizer uso normal. Abra o Chrome no Windows, use aquele aplicativo da empresa que só existe para Windows, acesse aquele portal interno que, por algum motivo, ainda exige o Internet Explorer... faça o que precisa e depois volte para o macOS.

Para isso, o MacBook Neo com Parallels é uma solução que funciona perfeitamente. Faz todo o sentido para um estudante que precisa de software educacional que não tem versão para Mac, para alguém que trabalha com ferramentas antigas da empresa ou simplesmente para aquela situação ocasional em que você não tem outra opção.

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Sejamos honestos: há limites

No entanto, o MacBook Neo não é um Mac para tudo, e com o Parallels, isso fica evidente assim que você começa a exigir mais do sistema. Os 8 GB de RAM que ele precisa compartilhar entre dois sistemas operacionais são o limite, e o Parallels deixa isso bem claro em sua documentação oficial: é a configuração mínima prática, não a recomendada. Para uma experiência confortável, eles sugerem 16 GB ou mais.

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Se você pretende editar vídeos, trabalhar com Adobe Premiere ou After Effects, renderização 3D ou gerenciar projetos arquitetônicos no Windows, o MacBook Neo não é o Mac ideal para você. E isso não se deve apenas ao Parallels: tanto o Premiere quanto o After Effects recomendam um mínimo de 16 GB de RAM para um uso satisfatório, e isso sem virtualização. Tentar fazer isso com 8 GB compartilhados entre macOS e Windows é exigir demais de qualquer máquina.

Além disso, o MacBook Neo não possui ventoinha. O resfriamento passivo funciona muito bem para o uso diário, mas sob carga prolongada, o chip reduz sua velocidade para evitar ultrapassar os limites térmicos. Você não notará em tarefas ocasionais, mas se seu fluxo de trabalho envolve o Windows utilizando a CPU constantemente por várias horas seguidas, você acabará percebendo. Para esses usos, a resposta é um MacBook Air com pelo menos 16 GB de RAM.

Monitor de Atividade mostra que o Parallels está usando 13 GB. Como isso é possível?

Se você abrir o Monitor de Atividade enquanto o Parallels estiver em execução, verá algo que não faz sentido à primeira vista: o sistema parece estar usando mais memória do que possui fisicamente. No meu caso, o Parallels estava mostrando 13 GB de uso total em um Mac com apenas 8 GB. Como isso é possível?

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A resposta se chama swap, ou memória de troca. Quando o macOS fica sem RAM física disponível, ele pega os dados que não está usando ativamente e os grava temporariamente no SSD. Isso libera RAM para o que realmente precisa e, quando os dados armazenados no disco são necessários novamente, ele os recupera. O resultado é que o sistema pode operar como se tivesse mais memória do que realmente possui.

Parece bom, e em alguns aspectos é. A questão é que o SSD, embora extraordinariamente rápido em Macs com Apple Silicon, nunca será tão rápido quanto a RAM. No uso normal, você não notará muita diferença, mas sob carga, quando a memória de troca começa a trabalhar em excesso, o desempenho sofre. Com 8 GB de RAM em uma máquina que precisa executar macOS e Windows simultaneamente, o espaço de troca (swap) será seu companheiro constante.

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Então, para quem ele é indicado?

Ao final do teste, tenho uma ideia muito mais clara para quem o MacBook Neo com Parallels é indicado, e a conclusão me surpreendeu positivamente. Eu não esperava que um Mac com um processador de iPhone conseguisse lidar com macOS e Windows rodando simultaneamente com tanta fluidez. Para acesso ocasional ao Windows, para aquele programa específico que não existe no Mac, para fluxos de trabalho de escritório, desenvolvimento leve ou ferramentas de negócios, o Neo é mais do que suficiente.

O que ele não é, e isso precisa ficar claro, é uma máquina para viver no Windows. É um Mac que pode alternar para o Windows quando necessário. Essa diferença é tudo. Se o seu trabalho diário depende de aplicativos exigentes do Windows, você precisa de mais RAM e um chip M. Mas se o macOS é o seu sistema operacional principal e o Windows é apenas uma parada ocasional, o MacBook Neo lida com ele muito melhor do que qualquer um esperaria de um laptop nessa faixa de preço.

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