O velho fantasma da fragmentação no Android tem um novo capítulo, e as coisas não parecem bem para o SO do Google. Dados oficiais publicados nesta semana revelam um marco para a indústria chinesa e seu novo ecossistema: 91,5% dos dispositivos da Huawei já são compatíveis com a API mais recente do HarmonyOS 6.
O número é arrasador quando comparado ao ritmo de adoção das versões mais recentes do Android. Na China, a Huawei alcançou essa velocidade de cruzeiro em tempo recorde, resolvendo também o problema endêmico das atualizações.
Como é possível atualizar milhões de unidades tão rápido? A resposta curta é que a Huawei se tornou a Apple. Ao lançar o HarmonyOS Next (versão 5), a empresa eliminou todo o código legado do Android. Eles não precisam mais esperar que o Google libere o código, que a Qualcomm atualize os drivers, nem adaptar camadas de personalização.
A Huawei controla todo o processo de forma vertical: projeta o chip (Kirin), escreve o kernel e distribui o software. Isso elimina os gargalos que ainda freiam fabricantes como Samsung e Xiaomi, que dependem de terceiros para agir.
Arquitetura sob medida
Para entender essa agilidade, é preciso olhar sob o capô do SO. A chave técnica é a substituição do kernel do Linux pelo de Hongmeng. Trata-se de uma arquitetura de microkernel que, segundo a empresa, elimina camadas desnecessárias de abstração e é três vezes mais eficiente do que os núcleos Linux tradicionais.
Essa integração profunda tem uma segunda vantagem para a gigante chinesa: o desempenho. A Huawei usa o software para esconder as limitações do seu hardware. Sem acesso às litografias mais avançadas por causa das sanções, seus chips estão tecnicamente atrás dos da Apple ou da Qualcomm. Ainda assim, ao escrever o sistema operacional de forma mais personalizada, eles conseguem melhorias gráficas com uma simples atualização e desfrutam de uma fluidez muito boa.
Os dados de desenvolvedores mostram que as versões anteriores (como a 5.0.5) mal retêm 4% de participação. Isso confirma um fato bastante curioso: o usuário da Huawei na China atualiza em massa, impulsionado por um ecossistema que já vai de carros a relógios.
Embora, em terras estrangeiras, a realidade seja diferente (o HarmonyOS não está nos telefones), a mensagem para a indústria é clara: se você quer um suporte de software rápido e sustentado ao longo do tempo, o melhor caminho é controlar o próprio destino.
Imagem | Composição com imagens de Daniel Vega para Xataka e Iván Linares para Xataka Android
Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.
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