Foi realizada no último mês, a cerimônia do Prêmio Xataka 2025. Stella Li, vice-presidente global da BYD, ganhou o Prêmio Xataka Lenda; o Galaxy S25 Ultra dominou a categoria super premium e a Freepik foi coroada a melhor empresa de tecnologia espanhola. Além desses, porém, existe um prêmio que tem um peso especial. Não pelo glamour, mas pelo que representa.
O Prêmio da Comunidade não é decidido por nenhum júri, não há debates internos. Cabe aos leitores decidir com seus votos.
Neste ano o vencedor foi o Huawei Watch GT 6 Pro: mais do que apenas um prêmio para um smartwatch bem-feito, foi puro simbolismo.
Confira a lista histórica de vencedores do prêmio:
- 2018: Xiaomi Mi A2 Lite.
- 2019: Redmi Note 7.
- 2020: POCO X3 NFC.
- 2021: Xiaomi Pad 5.
- 2022: Nenhum celular (1).
- 2023: Redmi Note 12.
- 2024: Nenhum celular 2a.
Quase todos eles, dispositivos chineses ou com alma chinesa, compartilham um padrão: foco em custo-benefício, inovação prática e, em alguns casos, a ambição de romper com o convencional.
Mas, entre todos eles, a Huawei é a única que não chegou prometendo muito por pouco. É a única que já fazia parte da elite global, disputando o trono com a Samsung e, de fato, prestes a tomá-lo, antes que os Estados Unidos decidissem usá-la como moeda de troca em sua guerra comercial.
Porque a Huawei não conquistou a percepção de qualidade premium oferecendo mais gigabytes por menos euros, mas sendo, por anos, simplesmente uma ótima opção.
- O P20 Pro foi o primeiro celular com câmera tripla que realmente funcionou;
- O Mate 20 Pro era uma fera técnica sem concessões, competindo de igual para igual com os grandes nomes do mercado;
- Seus laptops MateBook têm sido rivais à altura do Surface;
- E seus relógios GT já se destacavam por baterias que duravam semanas, mesmo com a Apple pedindo um carregador todas as noites.
Eles não eram baratos, eram bons. E essa diferença, no mercado de tecnologia, é enorme.
Então chegou 2019. Lista de Entidades, veto dos EUA, adeus Google, adeus Qualcomm, adeus TSMC. As vendas fora da China despencaram, e a narrativa ocidental era unânime: a Huawei estava morta. Sem o ecossistema do Google, sem acesso à cadeia de suprimentos, era impossível sobreviver nesse mercado.
Em vez de desistir, porém, eles construíram seu próprio universo.
- HarmonyOS em mais de um bilhão de dispositivos.
- Chips Kirin próprios e, em seguida, Ascend para IA
- Crescimento da Huawei Cloud na Ásia, África e América Latina.
Eles não imploraram para voltar ao Google Play, como poderíamos esperar, simplesmente construíram um ecossistema completamente novo, sem alarde.
O GT 6 Pro, por exemplo, não é um gadget que promete demais e entrega pela metade, mas traz um desempenho excelente, que justifica a premiação da comunidade.
Isso não acontece por acaso
A Xiaomi se destaca pelo custo-benefício. Realme e Oppo também competem nesse quesito, mas a Huawei é a única marca chinesa que, ao ser mencionada, o consumidor europeu automaticamente pensa em "qualidade séria", sem as ressalvas que outras marcas carregam. Eles conseguiram isso logo depois de tentarem destruí-la.
O Huawei Watch GT 6 Pro é um relógio excelente, mas o fato de ter ganhado o Prêmio da Comunidade de 2025 significa algo mais: é o reconhecimento da única marca chinesa que se desvencilhou da imagem de baixo custo sem renunciar às suas origens. É o prêmio que, de certa forma, a China buscava há décadas: respeito incondicional. E foi conquistado por uma empresa que tentaram aniquilar.
Imagem | Xataka
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