Não são apenas centrais multimídia conectadas ou chaves inteligentes que colocam carros modernos em risco. Pesquisadores descobriram que um componente muito mais discreto pode ser explorado para rastrear veículos: o sistema de monitoramento da pressão dos pneus, conhecido como TPMS.
O alerta vem de especialistas da IMDEA Networks e de universidades europeias, que identificaram falhas nos sistemas Direct TPMS (dTPMS), adotados por montadoras como Toyota, Renault, Hyundai e Mercedes-Benz. Diferentemente do modelo indireto, que calcula a pressão com base na rotação das rodas, o dTPMS usa sensores instalados nos pneus que transmitem dados diretamente para a central eletrônica do carro.
O problema é que esses sensores enviam informações em texto aberto, sem criptografia, incluindo um identificador único do veículo. Com um equipamento que pode custar cerca de US$ 100 (cerca de R$ 500), montado com antenas comuns e componentes como um Raspberry Pi, é possível captar esses sinais a até 50 metros de distância.
Na prática, um invasor poderia esconder pequenos receptores ao longo de rotas estratégicas para coletar dados de veículos que passam pelo local. Ao identificar o sinal de um carro estacionado regularmente em determinado endereço, seria possível monitorar sua rotina por dias ou semanas.
As implicações vão além da privacidade. Criminosos poderiam mapear trajetos de caminhões de carga para planejar assaltos ou até estimar o peso transportado com base na variação da pressão dos pneus. Em cenários mais sofisticados, também existe a possibilidade de falsificar alertas de pneu murcho, forçando o motorista a parar.
Especialistas recomendam que montadoras adotem protocolos de criptografia nos sistemas TPMS. No entanto, como não existe um padrão global unificado para essa tecnologia, a implementação de melhorias pode ser desigual entre fabricantes, mantendo uma brecha pouco conhecida, mas potencialmente grave, na segurança automotiva.
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