A 260 km de Natal, a 3,5 mil metros de profundidade e sobre vulcão de 50 milhões de anos: Atol das Rocas é 'parente' das Maldivas

Com formato de anel, piscinas naturais e uma lagoa no interior, a formação brasileira tem a mesma origem geológica do famoso arquipélago asiático. Mas existe uma diferença importante: ela é a única do tipo em todo o Atlântico Sul e não pode receber turistas

Atol Das Rocas
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Laura Vieira

Redatora
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Laura Vieira

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Jornalista recém-formada, com experiência no Tribunal de Justiça, Alerj, jornal O Dia e como redatora em sites sobre pets e gastronomia. Gosta de ler, assistir filmes e séries e já passou boas horas construindo casas no The Sims.

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Não é preciso atravessar o mundo para encontrar uma paisagem que lembra as Maldivas. A cerca de 260 km de Natal, o Atol das Rocas reúne águas cristalinas, bancos de areia e uma formação geológica que o torna um parente distante das famosas Ilhas Maldivas, no Oceano Índico. Os dois lugares são considerados parecidos por terem se desenvolvido a partir de estruturas vulcânicas submarinas, posteriormente ocupadas por organismos que formam recifes. No caso brasileiro, o atol fica sobre uma antiga estrutura vulcânica associada a uma cadeia de montanhas submarinas. Com características únicas, ele é o único atol de todo o Atlântico Sul e permanece protegido em uma reserva biológica onde a visitação turística é proibida.

Atol das Rocas e Maldivas têm a mesma origem geológica

Atol das Rocas O atol é um tipo de formação consiste em uma ilha, um conjunto de pequenas ilhotas ou um recife de coral em formato de anel, que envolve uma lagoa

O Atol das Rocas e as Maldivas compartilham uma característica que não está apenas na paisagem: os dois são atóis, formações de recifes que crescem em formato de anel e deixam uma lagoa em seu interior. Para entender como esses lugares ganharam essa configuração, é preciso voltar milhões de anos, quando vulcões submarinos ainda estavam ativos. 

Essas estruturas vulcânicas funcionam como uma base para o crescimento de corais e algas calcárias, que se desenvolvem ao redor delas e, com o tempo, formam o anel característico dos atóis.  Com o passar do tempo, os recifes crescem sobre a estrutura vulcânica e formam áreas rasas em meio ao oceano. É assim que surgem as ilhas e os anéis de recifes característicos desse tipo de formação. Mas apesar da origem compartilhada, existe uma diferença importante entre os dois destinos:

  • Maldivas: o país asiático é formado por um conjunto de diferentes atóis, que compõem seu território insular;
  • Atol das Rocas: é uma formação única, o único atol conhecido do Atlântico Sul, o que torna sua formação especialmente singular.

Vulcão antigo e reserva biológica mantêm o atol longe do turismo

A paisagem do Atol das Rocas pode até lembrar um refúgio tropical, mas sua origem está ligada a um processo geológico muito mais antigo. A formação fica no topo de uma cadeia de montanhas submarinas, em uma região onde o oceano chega a cerca de 3,5 mil metros de profundidade. Sua base começou a se formar a partir da atividade de vulcões submarinos, que deixou de ocorrer há aproximadamente 12 milhões de anos. Desde então, os recifes de corais e algas calcárias se desenvolveram sobre essa estrutura, dando ao atol o formato de anel conhecido hoje. 

atol das rocas

Atualmente, o atol integra uma Reserva Biológica (Rebio), criada em 5 de junho de 1979 e administrada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). A proteção é tão restritiva que apenas atividades relacionadas à pesquisa científica e à fiscalização são permitidas no local.

Mesmo pequeno, o ambiente concentra uma diversidade expressiva de vida marinha. Entre os animais que utilizam a região estão tubarões-lixa, tubarões-limão, tartarugas-verdes e diversas aves marinhas. O atol também funciona como abrigo, área de alimentação e local de reprodução para diferentes espécies. Algumas características ajudam a entender o que torna esse ambiente tão particular:

  • Dimensão: o perímetro do atol tem aproximadamente 7 km;
  • Ilhas: duas porções principais de areia formam a Ilha do Farol e a Ilha do Cemitério;
  • Ecossistema: recifes, piscinas naturais e uma lagoa permanente compõem a paisagem;
  • Proteção internacional: o local integra, junto de Fernando de Noronha, o Patrimônio Mundial Natural da Unesco, reconhecido em 2001.

Assim, embora compartilhe a origem geológica com as famosas Maldivas, o Atol das Rocas segue um caminho bem diferente. Em vez de resorts e visitantes, sua paisagem é ocupada por milhares de animais e pesquisadores que acompanham de perto as transformações de um dos ambientes marinhos mais preservados do país.

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