A corrida espacial privada está cada vez mais sofisticada: em breve, também terá um telescópio no espaço

Se tudo correr bem, o Lazuli deverá viajar para o espaço até 2029, no máximo

Telescópio Lazuli
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Victor Bianchin

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Victor Bianchin é jornalista.

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A corrida espacial já não é mais exclusividade das grandes agências públicas, como a NASA ou a ESA. As empresas privadas estão assumindo um papel cada vez mais importante, especialmente no que diz respeito ao desenvolvimento de foguetes e satélites. Até agora, um dos poucos campos ainda inexplorados pelo setor privado era o dos telescópios espaciais. No entanto, se tudo correr bem, isso mudará muito em breve com o lançamento do Lazuli, telescópio desenvolvido pela Schmidt Sciences para estudar exoplanetas que outros instrumentos não conseguiram analisar em profundidade.

23 cores. O Lazuli terá um espelho primário de 3 metros, portanto maior que o do Hubble, e será capaz de observar o céu em 23 cores, desde a luz visível até o infravermelho próximo. Também contará com um espectrógrafo, que permitirá identificar a composição dos objetos celestes por meio da análise da luz que eles emitem ou refletem.

Além de sua ampla faixa de cores e de sua análise espectral, o Lazuli se destaca por um instrumento chamado ExtraSolar Coronagraph (ESC). Seu objetivo é bloquear a luz de estrelas distantes para impedir que ela interfira na luz refletida pelos planetas que orbitam ao seu redor. Em termos bastante simplificados, ele criará pequenos eclipses artificiais para concentrar toda a atenção nos exoplanetas que se pretende analisar.

27 candidatos

Dois cientistas das universidades de Michigan e do Arizona publicaram recentemente um estudo que apresenta 27 exoplanetas gigantes que seriam candidatos ideais para serem estudados pelo Lazuli. Isso não significa necessariamente que eles serão os escolhidos, mas indica que são bons candidatos.

Por limitações técnicas relacionadas ao tempo e ao foco de observação, a maioria dos exoplanetas estudados pelos telescópios espaciais são os chamados Júpiteres quentes. Esses exoplanetas ficam muito próximos de suas estrelas, por isso apresentam trânsitos mais curtos e completam mais órbitas ao redor delas em determinado período do que um planeta que está mais distante. Isso facilita sua detecção.

O problema é que os gigantes do nosso Sistema Solar, Júpiter e Saturno, estão muito mais distantes do Sol. Por isso, suas características são bastante diferentes. O ideal seria estudar os gigantes gasosos frios. Até agora, isso representava um desafio técnico, mas o Lazuli está mais bem preparado para essa tarefa graças ao seu coronógrafo, que permite captar a luz fraca de planetas distantes. Os 27 candidatos são justamente desse tipo.

Mais instrumentos

O Lazuli trabalhará em conjunto com outros instrumentos também desenvolvidos pela Schmidt Sciences: os conjuntos de telescópios ópticos terrestres Argus e LFAST e o radiotelescópio Deep Synoptic Array. Todos compartilharão softwares e dados, de modo que uma descoberta feita por um deles possa ser facilmente investigada pelos demais.

No estudo realizado por esses cientistas, que ainda não passou por revisão por pares, eles apontam que outros telescópios já em funcionamento também poderiam estudar os mesmos candidatos. É o caso, por exemplo, do recém-inaugurado Nancy Grace Roman ou do veterano Very Large Telescope (VLT). Mais uma vez, os dados poderão ser compartilhados, permitindo que telescópios públicos e privados trabalhem em conjunto.

Ainda não há uma data definitiva para o início das operações do Lazuli. No entanto, se tudo correr bem, a Schmidt Sciences espera lançá-lo em 2028 ou, no máximo, em 2029. Até lá, os trabalhos continuarão tanto no desenvolvimento do telescópio quanto na busca por candidatos que ele possa analisar.

Imagem | Schmidt Sciences

Texto traduzido e adaptado do portal parceiro Xataka Espanha.


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