O preço da memória se transformou em uma verdadeira piada de mau gosto. Os módulos DDR4 e DDR5 estão escassos, os fabricantes de PCs estão vendendo equipamentos com memória insuficiente e até a Apple aumentou em 20% o preço de seus MacBooks e iPads, atribuindo diretamente a culpa a esse componente. A inteligência artificial (IA) é a responsável e não há sinais de que a situação vá melhorar tão cedo.
A Samsung, a SK hynix e a Micron, que controlam cerca de 90% da produção mundial de DRAM, redirecionaram boa parte de suas linhas de fabricação para memórias de alta largura de banda (HBM), utilizadas nos aceleradores de IA da Nvidia e de outras empresas. Como resultado, o mercado consumidor — que abastece nossos computadores, celulares e consoles — foi praticamente deixado à própria sorte.
E, nesse vazio, existem apenas dois nomes capazes de trazer algum alívio: a CXMT (ChangXin Memory Technologies) e a YMTC (Yangtze Memory Technologies Co.). Durante anos, essas duas fabricantes chinesas desempenharam um papel secundário. De repente, porém, passaram a representar a única possibilidade real de estabilizar um mercado com preços fora de controle.
Duas fabricantes, uma mesma oportunidade
A CXMT protagonizou uma ascensão que parecia impensável há apenas dois anos. A empresa aumentou seu lucro líquido em mais de 1.688% em um único trimestre, assinou um contrato com a Tencent no valor de cerca de 20 bilhões de yuans (aproximadamente 2,75 bilhões de dólares) para fornecer DRAM para servidores e já detém uma participação global de 7,67%, segundo a Omdia. Isso faz dela a quarta maior fabricante de memórias do planeta e a maior da China.
Enquanto a CXMT trava sua batalha no mercado de DRAM, a YMTC faz o mesmo no segmento dos chips NAND Flash. Em apenas um ano, a empresa passou de uma participação de mercado de 8% para 13% e está construindo uma nova fábrica em Wuhan, cuja produção em massa começará no segundo semestre de 2026. Com isso, deverá se tornar a terceira maior fabricante mundial de NAND, atrás apenas da Samsung e da Kioxia. Além disso, a YMTC decidiu destinar 50% da capacidade de sua terceira fábrica na cidade — diferente da anterior — à produção de DRAM, marcando uma incursão inédita no segmento dominado por sua compatriota CXMT.
Ainda assim, convém moderar o entusiasmo. Como pudemos constatar na Computex, os preços da CXMT já começam a se aproximar perigosamente dos praticados por Samsung, SK hynix e Micron, e boa parte de sua produção continua destinada ao mercado interno chinês. Também é importante ajustar as expectativas: segundo estimativas da própria indústria, o grande aumento da capacidade produtiva dessas duas fabricantes só chegará ao mercado global em 2027.
E há outro fator que não depende das fábricas. A CXMT integra a lista 1260H do Pentágono devido a seus supostos vínculos com o Exército de Libertação Popular da China, o que obrigou a Apple a pressionar o governo Trump para poder comprar chips da empresa sem sofrer sanções. Como era de se esperar, qualquer mudança de rumo em Washington pode interromper essa alternativa justamente quando ela parece mais necessária.
A China não vai resolver essa crise da noite para o dia, mas, hoje, é a única peça do tabuleiro que está se movendo na direção correta. Que ela chegue a tempo ou não dependerá tanto de suas fábricas quanto da geopolítica que as cerca.
Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.
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